segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

éramos

Sim, éramos bons amigos. Fiéis, leais e complacentes. Éramos cúmplices. Toda essa cumplicidade está eternizada em papéis escritos à mão, papéis impressos, fotografias e até nos últimos e-mails.
Vivemos juntos os momentos mais felizes, também os mais tristes; mas foi nessa união espiritual que juntos conseguimos vencer sempre.
Também éramos amantes. Jovens amantes. Amantes ao acaso;amantes escondidos do mundo. Protegeríamos assim tamanho amor: longe dos olhares alheios. Assim o fizemos.
Mantínhamos isso em sigilo absoluto há muito tempo, mesmo quando me era proibido provar dos prazeres de um relacionamento, nós continuamos juntos. Por ele pequei.
Espero que não seja surpresa, alguns já desconfiavam não é mesmo? Mas nunca possuímos um ao outro carnalmente. Não nos violamos. O respeito por tão cândido sentimento nunca foi deixado de lado.
Ele tinha medo de me machucar. Quando nos conhecemos eu tinha 16 anos e ele 18, foi quando nos amamos.
E fomos descobrindo os segredos mais íntimos um do outro... eu católica, ele judeu, depois nos desviamos do caminho juntos (como tinha de ser).
Noites de vinho e poesia e violão. Noites de paixão e abraços e beijos, sempre foi assim entre nós dois. E assim continuará sendo.

Saudades eternas do meu melhor amigo e melhor amante.
Dedico a ti; Daniel Albuquerque, meu amor defunto.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A menina que fantasiava ser mulher

    Ela foi expulsa de um renomado convento conservador por não saber calar diante de certas circunstâncias. Foi desapropriada de sua vocação quando não rendia mais lucros à congregação.
    Aquela vida religiosa era tudo o que ela conhecia.Sofreu, Deprimiu-se quando viu que preciosíssimos anos de sua juventude foram simplesmente jogados fora.
   Foi então que ela decidiu viver do próprio modo.
   Extinguiu da memória aqueles anos de breu. Começou a agir como escrava alforriada: Em tudo via a liberdade.
    Quando saiu às ruelas da cidade esbanjando nova aparência (cabelos alisados e bem cortados, unhas perfeitamente bem cuidadas, sobrancelhas feitas) despertou olhares. Mas, eram olhares desejosos, e esses olhares ela recusava.
     Logo outras meninas, há muito desvirtuadas começaram a invejá-la. Ela desfilava na rua trazendo uma postura digna de rainhas medievais. Suas carnes gritavam por amor, mas ela sabia guardar-se.
     Esperava por um homem completo, que unisse amor e desejo, esperava por esse homem na esperança de que ele a viesse libertar do infortúnio de viver solitária.
     Muitos a assediavam sem nenhum decoro, pois, quando olhavam pr'aquele corpo imaginavam as capacidades de mulher que ela aparentava ser.

    Pois bem, aparências nem sempre correspondem à realidade e mesmo que ela desejasse com todas as suas forças ser classificada como mulher, ela bem sabia que debaixo daquela pele quente de mulata tropical, carregava um coração puro e uma rara pureza virginal.
    E é aí que muitos homens perdem-se: Não é necessário apenas amar, ou só desejar. É preciso unir os dois  simultaneamente.
   Eis aí a fórmula para agradar uma mulher (pelo menos a parte mais seleta delas).

Amandha 09/02/2011

Amor incondicional

Ando a esmo pelas ruas da paixão
Não sei o que procuro
Entendo apenas que nessa imensidão
Procuro uma forma de traçar meu futuro

E é assim,meu amado
Que quero gostar de ti
Caminhemos juntos ao porvir
Mesmo trazendo os sentimentos ocupados

Querer-te só para mim
Seria muito egoísmo
E por amar-te tanto assim
Trago-te no peito camuflado

Não faço objeção
A teu outro relacionamento
Mas quero que no teu coração 
Carregues por mim um pouco de sentimento

E por gostar-te, querer-te
Aceito que me ames 
De qualquer jeito

Só não quero que me desprezes
Pois sei conservar meu desejo quieto
Irei manter-te no meu íntimo
Até que um dia tudo esteja findo.




Amandha_10/02/2011

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Homenagem póstuma - Seria cômica se não fosse real

Em uma gélida noite de quarta feira, juntou todos os seu poemas e composições.Queimou-os.
Pôs o violão em cima da cama milimetricamente arrumada. Gravou vídeos dedicados a alguns amigos enviando-os por e-mail.
Entre lágrimas escreveu pela última vez.
Redigiu duas cartas: uma para os pais e outra dedicada aquela que amava.
Eram cartas de justificativas para o ato que viria a seguir.
Como de costume, telefonou para a sua amada, pediu que ela o ouvisse com atenção. Relembrou os bons momentos vividos pelos dois.
Despediu-se com a seguinte frase: " Eu te amo pra toda a vida (entre risos) e até depois dela."


Desligou.
Sozinho,sentou-se no chão do quarto. Olhou fixamente pr'aquele monte de ferro fundido.
Apontou a arma para si.
Disparou.