sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A menina que fantasiava ser mulher

    Ela foi expulsa de um renomado convento conservador por não saber calar diante de certas circunstâncias. Foi desapropriada de sua vocação quando não rendia mais lucros à congregação.
    Aquela vida religiosa era tudo o que ela conhecia.Sofreu, Deprimiu-se quando viu que preciosíssimos anos de sua juventude foram simplesmente jogados fora.
   Foi então que ela decidiu viver do próprio modo.
   Extinguiu da memória aqueles anos de breu. Começou a agir como escrava alforriada: Em tudo via a liberdade.
    Quando saiu às ruelas da cidade esbanjando nova aparência (cabelos alisados e bem cortados, unhas perfeitamente bem cuidadas, sobrancelhas feitas) despertou olhares. Mas, eram olhares desejosos, e esses olhares ela recusava.
     Logo outras meninas, há muito desvirtuadas começaram a invejá-la. Ela desfilava na rua trazendo uma postura digna de rainhas medievais. Suas carnes gritavam por amor, mas ela sabia guardar-se.
     Esperava por um homem completo, que unisse amor e desejo, esperava por esse homem na esperança de que ele a viesse libertar do infortúnio de viver solitária.
     Muitos a assediavam sem nenhum decoro, pois, quando olhavam pr'aquele corpo imaginavam as capacidades de mulher que ela aparentava ser.

    Pois bem, aparências nem sempre correspondem à realidade e mesmo que ela desejasse com todas as suas forças ser classificada como mulher, ela bem sabia que debaixo daquela pele quente de mulata tropical, carregava um coração puro e uma rara pureza virginal.
    E é aí que muitos homens perdem-se: Não é necessário apenas amar, ou só desejar. É preciso unir os dois  simultaneamente.
   Eis aí a fórmula para agradar uma mulher (pelo menos a parte mais seleta delas).

Amandha 09/02/2011

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