quarta-feira, 30 de março de 2011

Escritoras Paraibanas do século XX

Na Paraíba, como em todo o Nordeste e no país, a literatura feminina somente começa a ser visível no início do século XX. Embora os livros de História da Paraíba não citem a presença e participação das mulheres no contexto dos anos vinte, e, ainda hoje desconhecidas, as mulheres na Paraíba foram presença constante, principalmente nos jornais, publicando crônicas, poesias, contos.
As diversas modificações na área política, econômica e social, repercutem nos estilos de vida do universo feminino. As mulheres entram no espaço público, anunciando que são sujeitos da História. A literatura sempre caminha articulada com o momento histórico, refletindo sua ideologia, quer na adesão ao pensamento dominante, quer contestando a voz corrente e as tendências em voga. A partir das últimas décadas do século XIX, floresceu no Brasil uma fecundíssima literatura de autoria de mulheres, a grande maioria delas hoje totalmente esquecidas nas camadas do tempo (Luzilá Gonçalves Ferreira, 1999).

BIOGRAFIAS DE ALGUMAS ESCRITORAS DA PARAÍBA

Anayde Beiriz
Anayde Beiriz nasceu no dia 18 de fevereiro de 1905, em João Pessoa. Sendo seus pais José da Costa Beiriz e Maria Augusta de Azevedo. Estudou na escola Normal Oficial do Estado, onde recebeu seu diploma de professora em 1922. Lecionou em uma colônia de pescadores, em Cabedelo, durante o dia ensinava as crianças e a noite aos adultos. Aos 20 anos, ganha o concurso de beleza, promovido pelo Correio da Manhã, como a mais bela paraibana em 1925. Em 1927, habilitou-se em datilografia, na Escola Rimington, na primeira turma mista da conceituada Escola. Poeta, escreveu várias poesias, que foram publicadas na Revista ERA NOVA. Foi noiva do bacharel João Dantas. Foi enterrada como mendiga no Cemitério Santo Amaro, Certidão de Óbito Nº2585. Seu resgate se deu 50 anos depois pelo historiador José Joffily. Faleceu no dia 22 de outubro de 1930.
        
Adamantina Neves

Adamantina Neves, nasceu em João Pessoa no dia 26 de setembro de 1905. Filha de Arthur Jader de Carvalho Neves e Maria Gomes de Carvalho Neves, é a primeira filha de uma prole de 10 irmãos. Desde os 06 anos de idade declama,por influência de sua tia Fininha. Estudou na escola Normal Oficial do estado, onde recebeu o diploma de professora. Foi professora de várias gerações: da escola Santa Rosário ao Grupo escolar Epitácio Pessoa no Jardim de Infância sua maior paixão. Entre seus alunos podemos citar pessoas como Dr. Odilon Ribeiro Coutinho, a deputada Lúcia Braga, o deputado José Clerot, o prefeito Jader Pimentel, o jornalista e escritor Luiz Augusto Crispim, Dr. Everaldo Soares Júnior, o jornalista e escritor Otávio Sintônio Pinto e muitos outros alunos. Sua juventude foi marcada com vários fatos, como por exemplo: o seu apoio a Campanha de João Pessoa, foi liberal de corpo e alma. Para Adamantina o Presidente João Pessoa foi um ídolo e continua sendo. Suas obras: “Janelas” e “Portas Abertas” e “Folhas de Portas”, livro de poesias. Faleceu em 05 de janeiro de 2000.

Apolônia Amorim

         Apolônia Amorim nasceu em Barra de Santana, Cabaceiras, em 09 de fevereiro de 1904. Professora participou ativamente das Campanhas Cívicas, inclusive o movimento popular de apoio a atuação de João Pessoa, em 1930. Além de participar no movimento da aliança Liberal e na Intentona de 35, no repúdio à Lei da Segurança Nacional e na fundação do Comitê Clara Camarão, em Campina sob sua direção. Contribui com vários artigos de cunho político e social nos Jornal “A UNIÃO” e “A IMPRENSA”, na Página feminina. Faleceu no Rio de Janeiro em 1949.

Ambrosina Magalhães

Ambrosina Magalhães nasceu em 1860. A atuação de Ambrosina M. Carneiro da Cunha na poesia paraibana do século XIX está registrada a partir do poema “Nas Margens do Capibaribe”, publicado no jornal liberal Paraybano em dezembro de 1880. Com vinte anos de idade, Ambrosina já demonstra uma simpatia em defesa do feminismo, não só por assumir sua vocação poética, como por de ser uma das poucas mulheres a entrar, em 1881, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Seus poemas transitam entre “Romantismo e Simbolismo”. Deste último estilo é o soneto “Noetivago”. “Já vai bem alta à noite. E sobre o lago manso / Finíssimo lençol de gaze cor de poeta / Vão dois cisnes boiando um suave remanso / Enquanto vai passando a doce serenata”. Apesar de uma intelectualidade e participação dinâmica na imprensa, Ambrosina nunca publicou livro.

Albertina Correia Lima

Albertina Correia, filha de Lindolfo José Correia das Neves. Advogada. Foi professora por muito tempo, destacando-se entre seus alunos Oris Barbosa. Bacharel em Direito pela Faculdade do recife, diplomada em 1931. Contribuiu com vários artigos na Revista ERA NOVA, e nos jornais “A UNIÃO” e “A IMPRENSA”, como também, escrveu vários artigos nas revistas do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, onde ingressou em abril de 1938,além de fazer parte da Associação Paraybana Pelo Progresso Feminino no ano de 1933, onde possuía o cargo de oradora. Albertina sempre demonstrou seu interesse pela emanciapção da mulher. Autora do livro”João da Mata” (biografia). Faleceu em 18 de março de 1975.

Alice Azevedo Monteiro

Alice Azevedo, professora e jornalista. Notável educadora. Contribuiu com vários artigos e poesias na imprensa da capital, além de participar ativamente na Associação Paraybana Pelo Progresso Feminino no ano de 1933, onde possuía o cargo de secretária. Seus artigos de cunho feministas foram publicados nos jornais A UNIÃO e A IMPRENSA. Foi sócia efetiva no conceituado Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, no dia 05 de junho de 1936. Em reconhecimento dos bons serviços prestados à educação da mocidade pessoense, a Prefeitura da cidade de João Pessoa deu seu nome a uma das ruas centrais da capital paraibana.

Catarina de Moura

Catarina de Moura Amsteim nasceu no dia 20 de dezembro de 1882, nesta Capital. Foram seus pais Misaed do Rego Moura e Francisca Rodrigues Chaves Moura. Fez seus estudos primários e secundários na Escola Normal Oficial, onde recebeu o diploma de professora normalista, em 1902. feito o curso de preparatórios no Liceu Paraibano, matriculou-se em 1908, na Faculdade de Direito do recife, de onde saiu formada e laureada, em 1912, obtendo também o prêmio de viagem à Europa. Como quartanista de Direito, advogou no crime, na cidade de Pau d’alho, em Pernambuco. Em 1913, no Governo Castro Pinto, fez conferênciapúblicas, no Teatro Santa Rosa, sobre “Direitos da Mulher” e escreveu, no jornal “A UNIÃO”, crônica assinada como pseudônimo de Paraguaçu. Na escola Normal desta Capital ensinou como professora,as cadeiras de Português, Desenho, Francês e História da Civilização, sendo em 1917, nomeada professora efetiva da cadeira de Português.


Francisca Rodrigues Moura

Francisca Moura, nasceu na capital da Província da Paraíba, no dia 02 de agosto de 1860. Filha de Francisco José Rodrigues Chaves e Catarina de Almeida Rodrigues Chaves. Fez seus estudos primários nas escolas públicas desta capital e nos cursos particulares Veloso e Francisco Gonçalves de Medeiros.Os estudos secundários lhe foram ministrados, particularmente, pelo professor Joaquim Antônio Marques, educador doLiceu Paraibano, visto como naquele tempo, neste estabelecimento, só eram admitidos alunos do sexo masculino. Só mais tarde, quando já era viúva, é que se abriu a escola Normal Oficial do estado, onde recebeu o diploma de professora, no ano de 1890. Em 1894, foi nbomeada professora efetiva da Escola Normal. Durante mais de meio século exerceu o magistério particular. O colégio Francisca Moura foi muito freqüentado. Escreveu as seguintes obras: “Compêndio de Geografia” e “Pontos de Português”, contendo o programa completo do ensino da matéria na Escola Normal, programa que fora elaborado pelo Catedrático Dr. Maximiano José Inojosa Varejão. Faleceu no dia 02 de fevereiro de 1942.

Isabel Iracema Feijó da Silveira

Iracema Feijó, nasceu no dia 25 de dezembro de 1893, na cidade de João Pessoa, sendo seus pais Emídio de Oliveira e Maria Carolina de Lima Feijó. Fez seus estudos primários na Escola pública da professora dona Maria Amélia Cavalcante de Avelar e os secundários na escola Normal do Estado, onde recebeu o diploma de professora, no dia 26 de março de 1908. Em visita Aliança Liberal a santa Rita, em fevereiro de 1930, fez o discurso de saudação. Foi colaboradora em vários jornais como: A União e A Imprensa na Página Feminina, nas revistas Era Nova, Manaíra e Almanaque, desta capital, do Rio de janeiro e dos Estados vizinhos, que estampam suas poesias. Iracema foi a primeira mulher a ter o título de eleitor em 1929 e a votar noEstado da Paraíba em 1930.

Iracema Marinheiro

Iracema Marinheiro nasceu em santa Rita, em 22 de outubro de 1911. Radicada por muitos anos em Campina Grande passa a viver no Rio de Janeiro. Contribuiu com imprensa paraibana escrevendo vários artigos e poesias no Almanaque da Paraíba, Revista Era Nova e Ilustração.Publicou um livro de poesia, Meu Evangelho, o qual recolhe sonetos ao gosto romântico, escritos na juventude e poemas de seus dias atuais de missionária espírita. Ao que tudo indica não mais retornou à Paraíba, pois sua produção cessou em 1933.

Lylia Guedes

Lylia Guedes, nasceu no dia 14 de novembro de 1900, em Nova Cruz Estado do Rio Grande do Norte, mas desde dos três meses, residiu nesta Capital. Foram seus pais Terencio Guedes e Maria Amélia Guedes, com os quais estudou as primeiras letras. Iniciou os estudos secundários no curso de Francisca Moura, nesta Capital.Em março de 1918, matriculou-se na Faculdade de Direito do recife, onde colou grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, no dia 16 de dezembro de 1922. Foi sócia fundadora da Associação Paraibana Pelo Progresso Feminino. No dia 09 de julho de 1939, entrou para o quadro social do Instituto Histórico Geográfico Paraibano dos Jornais “A União” e a “Imprensa”. Os jornais fazem menção constante como Advogada, no Fórum da capital, sendo a primeira mulher na Paraíba a fazer parte do Instituto dos Advogados, hoje, Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, como secretária. Proferiu palestra sobre o Bicentenário de D. João VI, entre 1965/75. Faleceu entre o período 1965/75.

Olivina Olívia Carneiro da Cunha

Olivina Carneiro, nasceu no dia 26 de maio de 1892, em João Pessoa.Filha do Sr. Silvino Carneiro da Cunha, Barão do Abihay. No ano de 1904 diplomou-se pela Escola Normal Oficial da Paraíba. Desde cedo mostrou seu interesse pelo magistério dedicando-lhe grande parte de sua vida e mais tarde também as letras. A poeta colaborou em vários jornais e revista da Paraíba.Na década de 30, juntamente com outras adeptas a emancipação feminina fundam a Associação Paraibana Pelo Progresso Feminino, onde sua metade era licenciar as mulheres em busca dos seus direitos como ser pensante e atuante na sociedade. No dia 06 de abril de 1938 entra para o quadro de sócios do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano e do IPGH. Das suas colaborações podemos destacar os jornais “A União” e “A Imprensa”, na coluna Página Feminina, além da revista “Era Nova”, “Manaíra”, entre outros. Olivina faleceu no dia 12 de março de 1977, em João Pessoa.

Eudésia Vieira


Eudésia de Carvalho Vieira, nasceu no dia 08 de abril de 1894, na povoação de Livramento, no município de Santa Rita, sendo seus pais Pedro Celestino Vieira e Rita Filomena de Carvalho Vieira. Fez seus estudos primários na Escola particular de D. Isabel Cavalcanti Monteiro nesta Capital. Recebeu o diploma de professora pública pela Escola Normal Oficial, em 15 de junho de 1911, sendo a oradora da turma. Iniciou a carreira do magistério dando aulas particulares, somente em 1915, através de concurso público, ingressou no magistério oficial. Foi designada para ministrar aulas em Serraria, mais tarde transferiu-se para Santa Rita e, finalmente para a capital do Estado. Casou-se em 1917, com José Taciano da Fonseca Jardim, nascendo desse casamento 14 filhos, dos quais apenas cinco sobreviveram, João Batista, Leôncio, Marcília Celeste e Maria Brasil. Foi professora pública em várias escolas primárias do Estado. Já casada decidiu ser médica, contrariando a vontade do marido e enfrentando todos os obstáculos e preconceitos da época, preparou-se e submeteu-se às provas da Faculdade. Eudésia foi à única mulher numa turma de homens a receber o grau de doutora e a primeira paraibana a conquistar o título, pela Faculdade de Medicina de Recife, ali recebeu o diploma de doutora em ciências médicas e cirúrgicas, por ter sido a única que defendeu Tese (Síndrome de Schickelé), dentre os 52 diplomados naquele ano. Aqui em João Pessoa, instalou um consultório em sua residência, à rua Duque de Caxias, passou a atender e dedicar-se à sua clientela, fazendo da medicina o seu apostolado. Foi Assistente Social da Penitenciária Modelo, sendo muito amada pelos presidiários. Professora, médica, jornalista e poetisa. Eis a mulher Eudésia Vieira. Ingressou no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano em 3 de junho de 1922, onde exerceu o cargo de suplente de 1o Secretário no período de 1925-26. Como professora se preocupou muito com a qualidade do livro didático adotado nas Escolas Primárias e, com muito sacrifício, conseguiu elaborar e editar dois livros e adotá-los nas Escolas Oficias do Estado. Como médica, dedicou-se com extremado desvelo às clientes, orientando-as, principalmente na questão do pré-natal, numa época que este exame era totalmente desconhecido pela maioria das mulheres. Como escritora, jornalista e poetisa, foi muito atuante. Colaborou na Revista ERA NOVA, nos jornais, O NORTE, A UNIÃO, A IMPRENSA, A GAZETA DO RECIFE e em NOVELAR, jornal da Festa das Neves. Seu primeiro poema foi publicado quando tinha 14 anos. Realizou muitas Conferencias que, posteriormente, foram enfeixadas em livros. Em 1974, foi convidada para ocupar a Cadeira nº 20 da Academia Fluminense de Letras, onde seu patrono era Alberto Torres; infelizmente, por motivo de saúde não aceitou o convite. Eudésia Vieira, considerava fato marcante na sua vida a conversão ao Catolicismo. Depois desse acontecimento, tornou-se devota de Nossa Senhora de Fátima, a quem atribuiu o milagre de seu salvamento, em 1943, quando o navio em que viajava do Rio de Janeiro para João Pessoa, foi torpedeado por um submarino Alemão nas Costas da Bahia. Em 1974 recebeu o título de cidadã Benemérita da Paraíba e, quando faleceu, foi homenageada com seu nome dado a uma rua do Bairro dos Estados. Deixou publicados os seguintes trabalhos: “Pontos de História do Brasil” (didático); “Cirus e Nimbos”; (versos); “A Minha Conversão e Dom Ulrico Sonntag”; “Síndrome de Schickelé”; (Tese de doutorado); Terra dos Tabajaras (didático) - 1955; Mistério de Fátima - 1952; Conferência - 1948; Dois Episódios de uma Vida; Poema do Sentenciado; O Torpedeamento do Afonso Pena - 1951; Inéditos: “Mortos que Falam”; “A Mãe Cristã e a Educação Eucarística que Ha de Dar aos Filhos”, Além de proferir palestra em sessão solene sobre a Emancipação Política do Brasil. Eudésia exerceu cargo de suplente de 1ª Secretário, no período de 1925-26 no IHGP. Entre o período de 1956/59 assumiu o cargo de Oradora e entre 1959/62 assumiu a Comissão de Contas desta Instituição. Eudésia faleceu em João Pessoa, no dia 16 de julho de 1981.

Analice de Caldas Barros

Analice Caldas, nasceu em Alogoa Nova, no dia 30 de outubro de 1891. Filha de Manoel Paulino Correia de Barros e Ana Salvina de Caldas Barros. Inteligente, concluído o curso primário, transferiu-se para JoãoPessoa, matriculou-se na Escola Normal em 1911, dedicou-se de imediato ao magistério, aos 20 anos. Cultora das letras contribuiu na imprensa local, na revista ERA NOVA tinha um “Álbum de Mlle. Analice Caldas”. Em 1936 foi admitida como sócia efetiva do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano. Idealizou a chamada Campanha dos Mil Reis Liberal, onde todos os paraibanos eram conclamados a ajudar o Governo do estado para adquirir munição destinada a sustentar a luta de Princesa. Juntou-se ao grupo idealista juntamente com Albertina Correia Lima, Lylia Guedes e fundam a Associação Paraibana Pelo Progresso Feminino que exerce uma incontestável liderança em prol da emancipação da mulher. Faleceu aos 54 anos, em um trágico acidente de avião, ocorrido em Lagoa Seca, Minas Gerais, no dia 15 de fevereiro de 1945.



Um comentário:

  1. Amandha, fico muito feliz pelo seu amor à arte, à literatura e mais feliz ainda por saber que você cultiva a memória de grandes mulheres como a de minha bisavó Isabel Iracema Feijó da Silveira.
    Dela herdei o amor pela poesia e sinto-me muito orgulhosa por isso.
    Com carinho, Mírian da Silveira Monte.

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