sexta-feira, 18 de março de 2011

Minha opinião sobre a morte de João Pessoa baseada no filme "Parahyba Mulher Macho"

Parahyba do Norte
1930

O crime passional que levou a revolução.


        
         A revolução de 1930, que culminou em importantes mudanças no aspecto político brasileiro, teve seu inicio na Paraíba, com a morte de um de seus mais estimados filhos: João Pessoa, então governador do estado e candidato a vice-presidência da república, na chapa da Aliança Liberal, liderada por Getúlio Vargas.
            O assassinato de João Pessoa deu-se por motivos pessoais, sendo assim um crime passional, que nada tinha com causas políticas.
            A história traz como grande antagonista João Dantas, o carrasco de João Pessoa, mas correm-se comentários de conhecedores do caso que os reais acontecimentos não ocorreram da forma que conhecemos.
            Também Anayde Beiriz não fora a mulher vulgar que nos apresenta o filme; talvez, por livre interpretação dos seus produtores aquela mulher fora descrita de tal forma.
            Anayde Beiriz foi àquela mulher de personalidade e caráter social fortes, e não pode ser confundida com qualquer meretriz da época.
            Anayde, heroína paraibana, que nasceu em uma família sem nenhum prestígio, lutou, acima de tudo, pela igualdade entre homens e mulheres e pelo direito feminino ao voto numa sociedade marcada pelo machismo.
            Poetisa, Anayde ousou em seus poemas, criando sua própria linha de pensamento. Suas poesias podem ser confundidas como inescrupulosas à época, mas, ela não fez nada mais que passar para o papel seus próprios sentimentos sem nenhuma maquiagem; principalmente sua paixão por João Dantas, que acabou por lhe levar a morte.
            Não podemos esfacelar o caráter de Anayde Beiriz julgando suas atitudes para com o homem que amava, pois, a intimidade de uma pessoa ou de um casal – como foi o caso – não deve ser exposta nas primeiras páginas dos jornais.
            Para aquela mulher, ser motivo de escândalo para todo um país foi o seu fim. A sociedade, através de suas fotos com João Dantas a quis ver como uma prostituta, esquecendo-se de suas habilidades, qualidades e conquistas em prol das mulheres.
            Anayde foi uma mulher de verdade, que trazia seus sentimentos à flor da pele, sem descuidar de sua força nem de sua feminilidade.
            Amou como nunca havia amado, lutou pelos seus ideais, buscou força em si mesma quando tudo o mais parecia desmoronar.
            Anayde Beiriz, espelho de mulher forte, até ouso em dizer que o título do filme deveria ser Parahyba Mulher Forte ao invés de Parahyba Mulher Macho que pode trazer outras interpretações que agora não vem ao caso.
            João Dantas e Anayde Beiriz tornaram-se o que a sociedade quis que eles fossem; esquecendo que a “vítima” provocou a sua própria morte.
            João Pessoa foi um homem corrupto, atento a seus próprios interesses e de seus aliados, mas, que por ser carismático caiu no gosto popular.
            Com medo de perder sua pose política, João Pessoa optou por perseguir seus adversários, principalmente o coronel Zé Pereira, detentor do poder na Região de Princesa Isabel, companheiro de João Dantas.
            João Pessoa fechou o cerco comercial de sertão paraibano com o estado de Pernambuco, colocando porteiras nas principais divisas, a fim de cobrar impostos daquilo que saísse ou entrasse; por isso, ganhou o apelido de João Porteira.
            Ele também obrigou os fazendeiros a pagar impostos e negou a candidatura de Julio Prestes a presidência da República, arranjando discórdia com os fazendeiros do sertão e de Pernambuco.
            Iniciou-se então o Levante de Princesa, uma luta da policia da capital a mando de João Pessoa e o exercito do coronel Zé Pereira formado por Agricultores e cangaceiros.
            João Pessoa começou a perder a guerra de Princesa. Descobriu então que era o Governo Federal do Presidente Washintong Luis que abastecia o sertão de armas e munições, começa a atacar e perseguir os partidários do coronel Zé Pereira.
            Começa-se então a batalha travada por João pessoa e os Perrepistas.
            A polícia da Capital começa a invadir residências e escritórios de pessoas suspeitas, entre eles o de João Dantas, que só tinha uma culpa: ser o amigo de Zé Pereira.
            Nada encontrando no apartamento de João Dantas que o acusasse de comunista ou que possuísse armamentos enviados do Catete rumo a Princesa, a polícia acha por bem divulgar as cartas e as fotografias que revelavam a intimidade do advogado com a sua mulher Anayde Beiriz.
            As tropas de João Pessoa já haviam invadido a casa de familiares de Dantas em Princesa.
            Juntando-se os dois fatos: a invasão da casa de Dantas e a de sua família, a vergonha pela qual Anayde, ele e a sua família passou, Dantas enche seu coração de ódio.
            Na primeira invasão que a polícia faz a sua casa, Dantas foge para Olinda. Já em recife, Dantas vê as cartas, as poesias e algumas fotografias dele e Anayde, expostas na 1ª página dos jornais.
            João Dantas descobre que João Pessoa também estava em Recife na Confeitaria Glória.
            Rancoroso, Dantas dirigiu-se a tal confeitaria e dispara contra João Pessoa, mas, antes se apresenta: “João Pessoa, eu sou João Dantas”, já que ambos não se conheciam pessoalmente.
            Dantas fica detido no Recife.
Anayde, que fora a Olinda buscar reforços na casa de Augusto Caldas par que Dantas não cometesse tal crime não conseguiu chegar a tempo.
            João Dantas é preso ao lado de Augusto Caldas, e, o mais interessante dessa epopéia: a polícia forja o suicídio de Dantas e Caldas, deixando duas cartas de despedida. Como prova de que tal fato não ocorreu, temos o relato de Antônio Silvino, vizinho de cela, que ouviu os gritos dos dois homens sendo mortos pela própria polícia.
            Anayde Beiriz, dez dias depois do assassinato de João Dantas, em 22 de outubro de 1930 foi encontrada morta no asilo Bom Pastor, também sob características suspeitas.
            O assassinato de João Pessoa foi o marco inicial para a revolução de 30, que culminou na tomada do poder por Getúlio Vargas que usou a morte do companheiro de chapa para promover seus ideais da Aliança Liberal, acusando Dantas de comunista.
            A sociedade fez de nossos personagens o oposto do que na verdade eles eram. João Dantas tornou-se o bandido, Anayde uma mulher sem escrúpulos e João Pessoa a vítima: um herói inocente.
            Quando perguntado por um jornalista, na hora de sua prisão qual a motivação que ele (João Dantas) teve para assassinar João Pessoa, o mesmo responde:

Ultrajada como foi minha honra, só poderia desagravá-la como fiz”.

            Agora lhes pergunto: Quem teria feito melhor - ou pior – que João Dantas?

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