domingo, 20 de março de 2011

ORFEU DE MEUS PENSAMENTOS


O negro Orfeu era só. Perdeu-se em sentimentos por Eurídice, a mulata que vinha do céu.
Ela tinha o sorriso tímido, o olhar baixo.
Orfeu a amou naquela noite e levantou o sol daquele dia com o seu cantar; cantou para o sol, cantou para Eurídice.
Amava só aquela mulher, queria ir ao céu daquela mulata. Era carnaval e nada mais importava aos dois... abandonaram-se, um nos braços do outro.
O homem cuidava da sua amada como se fosse a única.
Embalados ao som dos tambores dos Orixás, o mestre sala negou amor as donzelas todas que o perseguiam, e jurou amar somente aquela mulata do Morro da Babilônia vestida das graças de Iemanjá.
A morte estava à espreita, e, em meio às serpentinas essa antagonista agarrou a musa de Orfeu, levando a jovem Eurídice para os domínios de Hades.
O herói chorou a dor de  sentir Eurídice queimar em seu peito sem saber onde ela estava.
Orfeu depositou toda a sua fé no canto do pai dos pretos. Ouviu Eurídice avisando que ele nunca mais a tocaria.
O nosso deus negro caiu. Jurou ser o mais pobre de todos os pobres, pois tudo que ele tinha na vida era um corpo imóvel, trancado dentro de uma geladeira.
Reconheceu a sua deusa, a tomou nos braços e subiu até o morro mais perto do céu. cantou pela última vez.
Foi para a morada de sua amada, como era o seu querer.
Surgiu um outro Orfeu, ainda menino, e a epopéia do músico que acordava o sol com seu cantar recomeçou.


Nenhum comentário:

Postar um comentário