sexta-feira, 11 de março de 2011

À Panthera dos olhos dormentes




Era um ladeira. Tinha casinhas barrocas bem simplórias, com portas de jatobá e janelas de persiana.
Subiu aquele morro calçado de paralelepípedos. Os postes eram como bolas de onde emanava luz, uma luz fosca, que de pouco adiantava.
As calçadas eram estreitas, as ruas largas. Pisava seu salto alto pelas ruas da Parahyba fazendo barulho.
No braço repousava um sombrinha rendada, fechada por já ser noite. Na mão trazia um bolsa contendo alguns livros. na cabeça cobria-lhe um chapéu  detalhado em flor que combinava com o vestido branco daquele dia.
Admirava a beleza do Sanhauá enquanto desfilava com passo semelhante ao de pantera, chamando atenção pelo seu "a la garçonne".
A morena, professora simples, caiu nas graças  do advogado e jornalista famoso, que lhe prometeu amor eterno e os versos que tinha.
Não era um falso amor de altar, como muitos daquela época, era um "amor de estar junto", eram companheiros, e só.
Um era do outro, eternos enamorados, e acredito que continuam assim, em algum lugar do universo, mesmo 80 anos após a morte de ambos.



à  colega Anayde Beiriz, pioneira na educação de jovens e adultos na Paraíba,
Poetisa, normalista e feminista,
esta singela homenagem
vinda dessa  jovem poetisa, professora da Eja 
e pedagoga em formação.

Amanda de Souza.

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