quarta-feira, 27 de abril de 2011

"A poesia não nasce das regras, a não ser em parte mínima e insignificante; mas as regras derivam das poesias; e, no entanto, são tantos os géneros e as espécies de verdadeiras regras, quanto são os géneros e as espécies de verdadeiros poetas."
Giordano Bruno
                                                                          

Giordano Bruno

O filósofo morto pela inquisição por heresia e heliocentrismo, lutou a vida toda contra as intolerâncias clericais e as guerras religiosas



Epístola Preambular do livro "Acerca do Infinito, do Universo e dos Mundos" .

"Se eu, ilustríssimo Cavaleiro, manejasse o arado, apascentasse um rebanho, cultivasse uma horta, remendasse um fato, ninguém faria caso de mim, raros me observariam, poucos me censurariam, e facilmente poderia agradar a todos. Mas, por eu ser delineador do campo da natureza, atento ao alimento da alma, ansioso da cultura do espírito e estudioso da actividade do intelecto, eis que me ameaça quem se sente visado, me assalta quem se vê observado, me morde quem é atingido, me devora quem se sente descoberto. E não é só um, não são poucos, são muitos, são quase todos. Se quiserdes saber porque isto acontece, digo-vos que a razão é que tudo me desagrada, que detesto o vulgo, a multidão não me contenta, e só uma coisa me fascina: aquela, em virtude da qual me sinto livre em sujeição, contente em pena, rico na indigência e vivo na morte; em virtude da qual não invejo aqueles que são servos na liberdade, que sentem pena no prazer, são pobres na riqueza e mortos em vida, pois que têm no próprio corpo a cadeia que os acorrenta, no espírito o inferno que os oprime, na alma o error que os adoenta, na mente o letargo que os mata, não havendo magnanimidade que os redima, nem longanimidade que os eleve, nem esplendor que os abrilhante, nem ciência que os avive. Daí, sucede que não arredo o pé do árduo caminho, por cansado; nem retiro as mãos da obra que se me apresenta, por indolente; nem qual desesperado, viro as costas ao inimigo que se me opõe, nem como deslumbrado, desvio os olhos do divino objeto: no entanto, sinto-me geralmente reputado a um sofista, que mais procura parecer subtil do que ser verídico; um ambicioso, que mais se esforça por suscitar nova e falsa seita do que por consolidar a antiga e verdadeira; um trapaceiro que procura o resplendor da glória impingindo as trevas dos erros; um espírito inquieto que subverte os edifícios da boa disciplina. Oxalá, Senhor, que os santos numes afastem de mim todos aqueles que injustamente me odeiam; oxalá que me seja sempre propício o meu Deus; oxalá que me sejam favoráveis todos os governantes do nosso mundo; oxalá que os astros me tratem tal como à semente, de maneira que apareça no mundo algum fruto útil e glorioso do meu labor, acordando o espírito e abrindo o sentimento àqueles que não têm luz e intelecto; pois, em verdade, eu não me entrego a fantasias, e se erro, julgo não errar intencionalmente; falando e escrevendo, não disputo por amor da vitória em si mesma (pois que todas as reputações e vitórias considero inimigas de Deus, abjectas e sem sombra de honra, se não assentarem na verdade), mas por amor da verdadeira sapiência e fervor da verdadeira especulação me afadigo, me apoquento, me atormento. É isto que irão comprovar os argumentos de demonstração, baseados em raciocínios válidos que procedem de um juízo recto, informado por imagens não falsas, que, como verdadeiras embaixadoras, àqueles que as procuram, patentes àqueles que as miram, claras para todo aquele que as aprende, certas para todo aquele que as compreende. Apresento-vos agora a minha especulação acerca do infinito, do universo e dos mundos inumeráveis."
Ao ouvir sua sentença de morte, Giordano Bruno, aos 17 de fevereiro de 1600, disse aos seus algozes: "Maiori forsan cum timore sententiam in me fertis, quam ego accipiam", ou seja, Talvez sintam maior temor em sacrificar-me, sentenciando-me, do que eu, em aceitar"

"O filósofo, embora nada mais possua, é o dono do seu próprio destino". Giordano Bruno

terça-feira, 26 de abril de 2011

Cenas, discursos e prazeres

Madrugada.
Faz frio.
Antes daquela ligação de quase 30 minutos de duração, sentia meu corpo dolorido, cansada de um dia de cerveja e vinho.
Agora, findado o contato entre eu e ele não sinto mais nada a não ser a vontade de estar perto, de poder sentir o toque daquele a que, tanto desejo.
Existem alguns obstáculos, mas essas pequenas muralhas dão ainda mais gosto a esse prazer proibido que de um jeito ou de outro, irá concretizar-se.
Não escondo nada de ninguém; principalmente de minhas amigas mais próximas, mas , neste caso, nenhuma delas sabe sobre essa coisa avassaladora que nasce das minhas loucas emoções.
Penso nele; imagino cenas, ensaio discursos, e treino prazeres.
Meu Deus! O que esse homem tem de diferente dos outros? O que ele tem que me põe assim, à flor da pele, sentindo-me como uma felina no cio, necessitando que apenas ele venha me possuir? Será ele um castigo, ou será uma bênção?
No mais, o que me atrai nele é que ele me dá a possibilidade de um amor carnal e sem preconceito algum; onde só precisamos exercer cada um o seu papel e, depois do gozo, cada qual que siga com a sua vida.
Ele me dá exatamente o que quero: essa  paixão desvairada que é só nossa, e ninguém mais precisa saber.


domingo, 24 de abril de 2011

Um resquício

Para as melhores poesias, as melhores sensações.
Para os melhores beijos, os mais deliciosos lábios.
Para o clímax do prazer;
Nada melhor que o desejo entre um anjo e um demônio.

A beleza de ser livre

Eis a grande beleza de ser livre. Mulher solitária, porém, jamais abandonada.
Que fica à vontade com alguns goles de vinho e tem bem definida a sua sexualidade. Pinta de erotismo seus contos e acha o sexo a coisa mais natural da humanidade. Não banaliza o amor nem os demais sentimentos, mas acha sempre um bom motivo racional para não deixar-se submeter e para que não fique vulnerável ao sofrimento.
Fala com espíritos, acredita na existência de um mundo paralelo.
Ela acredita que a morte não é o começo, nem o meio nem o fim; é coisa qualquer como doença ou uma viagem que a gente faz antes de voltar pro nosso ponto de origem...
Às vezes a tristeza bate, às vezes é uma alegria súbita que pode durar muito ou pouco; mas o que seria das poetisas e escritoras se não houvesse esse humor bipolar?
Gosta de mato, e de gatos e de cachorros. Gosta do cheiro da lama, da chuva e da poeira. Deleita-se com a beleza dos lírios que brotam da terra que ela mesma cultivou.
Tem o pensamento forte, opinião própria, autonomia, independência e valores femininos que ninguém pode usurpar.
Depois de muito matutar, ela descobriu que a melhor amiga é a poesia, os melhores amantes são seus livros e os melhores prazeres realizados vem de seus versos. Que mais ela poderia desejar?
Pensem o que quiserem pensar dela; ela não considera tanto a opinião alheia. Podem criticá-la, podem tentar censurá-la, mas essa voz que vem das palavras escritas  na pauta de um caderno com as letras desenhadas em vermelho jamais poderá ser calada por muito tempo.
Ela ainda espera por uma qualquer coisa que entre pela janela do quarto pintado de sol, e que essa coisa mude o destino do universo.
A chamem de louca, mas ela não passa de uma visionária. A chamem de pornográfica, mas ela é apenas um ser sexuado; assim como todas as mulheres deveriam ser.
Alguns não nasceram para entender a beleza das palavras, e acham mais fácil criticar as verdades que saem das frases e versos de certas escritoras.
Tentam aprisionar as poetisas. Tentativa que é falha, pois, todas nós nascemos para a liberdade. Liberdade ideológica, comportamental e sexual.

Poetisas, levantem-se de suas covas e pintem o mundo de cor de rosa.



Amandha di Souza
Poetisa em formação...

sábado, 23 de abril de 2011

Sobre Hilda Hilst

O escritor e seus múltiplos vem vos dizer adeus.
Tentou na palavra o extremo-tudo

E esboçou-se santo, prostituto e corifeu. A infância

Foi velada: obscura na teia da poesia e da loucura.

A juventude apenas uma lauda de lascívia, de frêmito

Tempo-Nada na página.

Depois, transgressor metalescente de percursos

Colou-se à compaixão, abismos e à sua própria sombra.

Poupem-no o desperdício de explicar o ato de brincar.

A dádiva de antes (a obra) excedeu-se no luxo.

O Caderno Rosa é apenas resíduo de um "Potlatch".

E hoje, repetindo Bataille:

"Sinto-me livre para fracassar".
Hilda Hilst

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Lâmina Bendita

E ele veio à noite, para meu frio aplacar. Tomou-me em seus braços, e num beijo quente senti meu corpo querer mais, mais dele, mais daquele calor.
De repente vi aquelas mãos passeando pelo meu corpo... Foi uma sensação única. Era um lugar inapropriado, de um jeito inesperado; por isso aquele gosto, aquele delicioso sabor de aventura.
A língua dele nos meus lábios...senti aquela boa cheirando a menta descendo pelo meu pescoço... descendo... descendo... descendo pelo meu decote. Aquela barba por fazer arranhando minha pele...
Sem querer, mas desejando muito, senti ele homem... que mais eu poderia fazer?
Bendita seja essa lâmina que na quarta feira de trevas rompe minhas carnes mortas, e me faz sentir o que há muito não sentia; o que pensei que não mais existia, e ele, com tanto carinho, fez arder meu sangue de mulher.
Antes de conhecer aquele homem era eu uma santa, ainda de votos provisórios que professei religiosamente e voluntariamente, mas que não conseguia me livrar de jeito nenhum. Agora sinto-me com uma puta, mas não qualquer uma, pois sendo dele meu corpo, não me sinto culpada pelos meus atos .
Vi o rosto dele feliz, um sorriso largo, que tinha prazer estampado, e isso ele não quis esconder. Pediu um novo encontro, eu não pude negar.
Antes parecia loucura fazer aquilo, era como se fosse pecado de morte, mas depois daquele prazer, daquele toque, daquele cheiro de paixão, todas as minhas culpas cristãs sumiram.
Por tempos desejei, esperei por um príncipe como aquele, de lábios deliciosos, de corpo aconchegante, de braços fortes e calmantes...
Cheguei em casa. Deitei-me e não consegui esquecer aquele sorriso de aparelho azulzinho, que cortou o cantinho da minha boca, e que mudou o curso da minha vida.
Perguntaram-me se por ele eu estou apaixonada. Respondi que ainda não, mas confesso que quero estar, para que então o nosso prazer seja pleno e que eu permaneça livre pra aqueles atos, gestos loucos, mas muito gostosos.
E nada nesse mundo irá apagar o que senti aquela noite.

Bendito seja aquele corpo
Bendita seja aquela boca
Bendita seja aquela lâmina
Que me faz não mais voltar
Aquele mundo de solidão.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O que é ser pragmático?

Estamos ouvindo muito falar em pragmatismo. Vemos muitas frases de efeito do tipo “Devemos ser pessoas pragmáticas”, “Esse é o ano do pragmatismo”, “Desenvolvedor bom é desenvolvedor pragmático”, etc. Mais o que significa realmente ser pragmático ou essa palavra, Pragmatismo?
Pesquisando um pouco achei na Wikipédia o trecho abaixo neste link:http://pt.wikipedia.org/wiki/Pragmatismo

O Pragmatismo constitui uma escola de filosofia, com origens nos Estados Unidos da América, caracterizada pela descrença no fatalismo e pela certeza de que só a ação humana, movida pela inteligência e pela energia, pode alterar os limites da condição humana. Este paradigma filosófico caracteriza-se, pois, pela ênfase dada às consequências -utilidade e sentido prático – como componentes vitais da verdade.
O Pragmatismo aborda o conceito de que o sentido de tudo está na utilidade – ou efeito prático – que qualquer ato, objeto ou proposição possa ser capaz de gerar. Uma pessoa pragmática vive pela lógica de que as ideias e atos de qualquer pessoa somente são verdadeiros se servem à solução imediata de seus problemas. Nesse caso, toma-se a Verdade pelo o que é útil naquele momento exato, sem consequências.

Não contente fui ao dicionário e verifiquei que lá pragmatismo é identificado como uma doutrina filosófica que se baseia na verdade do valor prático. Vou tentar ser prático(ou seria melhor pragmático?) e trocar em miúdos: Podemos então dizer que uma pessoa pragmática é aquela que resolve as coisas de uma maneira ágil, que enxerga mais soluções do que impedimentos. Ela é mais direta no trato das coisas reais. Isso, é claro, não significa que essa pessoa seja superficial, pois a pessoa pragmática pode ter uma visão mais profunda, mais crítica da vida ou não. No último caso, ela é pragmática e superficial. Não podemos confundir uma pessoa pragmática com uma pessoa reativa pois a meu ver, uma pessoa reativa é aquela que dá a resposta para as coisas de uma maneira imediata, não pensa muito nas consequências dos seu atos.


sábado, 16 de abril de 2011

A um homem paciente

Vivo encerrada no inferno
De querer ter você deitado aqui na minha cama
Sei que posso parecer uma qualquer
A imoralidade em forma de mulher
Mas o que posso fazer se por ti tenho um grande amor?
E nem me importa saber se você também me ama.

Celular toca na madrugada
Acordo com a tua voz
Televisão no quarto ligada
E eu deitada imaginando mil cenas pornográficas

Após desligar o telefone
Teu timbre ainda ecoa
Me fazes perder o juízo
E essa vontade louca
De te ter na minha noite
Eleva os níveis da minha libido

Espero pelo dia
Em que possamos unir nossos corpos
Desfrutaremos de toda essa volúpia
Que há muita está guardada em nós.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Os versos de uma amizade

Thyago Souto / Amandha di Souza


Os deuses conspiraram a nosso favor
Na maresia
No Marco Zero
Ao som de Marisa

Foi num êxtase carnavalesco
Que no ritmo do Spok
Dançamos o primeiro frevo

Banhamo-nos nas àguas
Do Rio Doce de Olinda
Subimos e descemos ladeiras
Num caminho que as pernas já sabiam

E na madrugada
Corremos atrás do Galo
E eu de suor banhada
Nem me importava com o metrô lotado

Fui teu guia
Teu segurança
Fosse noite ou fosse dia
Não te abandonei na dança

No frio e no calor
Na caipiroska, na vodka e na cerveja
Veneramos nossa alteza
Nas  ruas antigas com amor.

E lá na minha terra
Onde vivi minha gênese
Nunca encontrei uma morena
Que a chama do meu coração acendesse.

E aqui no meu lugar
Nunca encontrei um moreno
Que eu pudesse gostar
E que comigo vivesse os melhores momentos.

Casamos nossa amizade
Nas águas do Capibaribe
Que faz nosso elo mais forte
Sempre que vamos juntos
E lembramos da noite sobre a ponte

Recife nos fez feliz
Olinda nos fez amigos

João Pessoa nos traz sorrisos
Santa Rita faz nosso amor Gris

Unidos em corpos distintos
Somos um do outro


Assim até que um dia
Tua casa seja a Paraíba

Ou até que (re)faças de Recife
Tua merecida morada.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Unidos em dois corpos separados

Para Thyago Souto.


 É mais uma hora de despedida.
Hoje a chuva molha teu corpo.
Tão sério, de mochila nas costas,
Desce a calçada e sobe na moto.
Me deixas
E eu vejo tua partida.


Vais triste
Não queres me deixar
Não queres me abandonar
Não queres partir
E eu não quero deixar-te ir.

Nem sabes quando vais voltar
Temos compromissos
É trabalho, família, faculdade
Tudo nos impede de ficar juntos
Mas não nos proíbe do ato de amar.



Uma lágrima Vejo
Nos teus olhos negros a rolar
Uma lágrima sinto
Dos meus olhos escapar.




 Partes mais uma vez
Queria ir contigo
Querias ficar comigo
E assim ficamos sozinhos

Por algum acaso do destino,
Deus quis nos unir... se o que dizem é verdade 
"O Que Deus uniu ninguém separa"
Nossa amizade se perpetuará.

Unidos em dois corpos separados. Assim somos nós dois.



domingo, 10 de abril de 2011

Um grito de revolta I


Venho agora falar sobre religião. Não queria, mas sinto que é preciso. Prometo tomar todos os cuidados possíveis, pois sei que falo besteira quando começo a debater com algumas pessoas sobre esse tema.
O caso é que eu quero que alguém me ouça, pois nunca me deixam falar sobre isso, todos acreditam ter a "razão" e a "explicação" para as diversas religiões que existem por aí , e eu, como sempre não posso expor minha opinião e levo logo a alcunha de doida.
Pois bem, vou começar. 
Acho de uma hipocrisia sem tamanho o fato de algumas pessoas tentarem me convencer a seguir certos preceitos religiosos baseados na lei do "TU DEVES": Tu deves fazer isso, tu deves fazer aquilo, mas pra ser dessa igreja tu deves fazer isso, pra participar desse grupo tu deves fazer aquilo.
Isso para mim está longe de ser liberdade.
Também acho umas coisas contraditórias na Bíblia, visto que ela passou pelas mãos de várias pessoas que tinham seus interesses políticos e colocaram nas entrelinhas dela.
Vejo muito Padre, Pastor e sacerdotes enganarem a massa e tratá-los como um bando de "zé-manés". Não estou generalizando, mas vejo isso com mais frequencia que eu gostaria.
Muitos dizem conhecer o Deus. Certo, vou fingir que acredito, mas porque essas pessoas que se consideram tão santinhas e dignas de alguma coisa são as mesmas que cometem adultério, que vivem de fofocas, que abortam, que roubam, que condenam e julgam o próximo; que são preconceituosas. Estou enganada, ou todas essas coisas são contra a Lei de Deus?
Bem, vi isso mais claramente essa semana, após o "massacre de Realengo". São Padres, Pastores e suas ovelhinhas por esse país inteiro dizendo que o Wellington deve ser condenado ao Inferno e tudo mais. Mas não é na Bíblia que Jesus fala que "nenhum pássaro cai ao chão se não for do querer do Pai"? Então, pela lógica, a tragédia ocorrida seria pelo querer de Deus. Estou certa?
Inúmeras comunidades no Orkut foram criadas, chamando o Wellington de assassino, desejando que o Diabo o carregue e outras insanidades a mais... Sabem quem é que "povoa" essas comunidades? Pessoas religiosas, que frequentam Igrejas de todos os gêneros. Mas não é um dos fundamentos das Igrejas o Perdão? Os sacerdotes pregam isso sempre. Então, ao que me parece as pessoas não entendem daquilo que participam...
Sinto-me muito triste com isso, pois estou criticando pessoas que já conviveram ao meu lado, mas eu não posso ocultar a verdade.
Não sou a favor desse cristianismo falso, que aprisiona e que aliena as pessoas.
Adoremos a Deus sem nenhuma hipocrisia.

Sem mais para o momento.

Retirado do Site do Padre Fábio de Melo

 inacabado que há em mim
Eu me experimento inacabado. Da obra, o rascunho. Do gesto, o que não termina. 

Sou como o rio em processo de vir a ser. A confluência de outras águas e o encontro com filhos de outras nascentes o tornam outro. O rio é a mistura de pequenos encontros. Eu sou feito de águas, muitas águas. Também recebo afluentes e com eles me transformo,
O que sai de mim cada vez que amo? O que em mim acontece quando me deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me fita vem morar em mim? Eu me transformo em outros? Eu vivo para saber. O que do outro recebo leva tempo para ser decifrado. O que sei é que a vida me afeta com seu poder de vivência. Empurra-me para reações inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos. Cultivo em mim o acúmulo de muitos mundos. 
Por vezes o cansaço me faz querer parar. Sensação de que já vivi mais do que meu coração suporta. Os encontros são muitos; as pessoas também. As chegadas e partidas se misturam e confundem o coração. É nesta hora em que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis.

Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil. 
Melhor mesmo é continuar na esperança confluências futuras. Viver para sorver os novos rios que virão. Eu sou inacabado. Preciso continuar.

Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio que eu continuo na vida. A trama de minha criatividade depende deste contraste, deste inacabado que há em mim. Um dia sou multidão; no outro sou solidão. Não quero ser multidão todo dia. Num dia experimento o frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só. Eu sou assim. Sem culpas.

Seria o homossexualismo uma coisa recente?

Pode ter sido descoberto o primeiro homossexual pré-histórico. O esqueleto do homem remonta aos anos entre 2900 e 2500 a.c., na Idade do Cobre, e foi descoberto na República Checa. 




O esqueleto daquele que os investigadores acreditam ser o primeiro homossexual da pré-história estava enterrado da mesma forma que, à data, se enterravam as mulheres.
Os restos mortais datam dos anos entre 2900 e 2500 a.c., durante a Idade do Cobre e foi encontrado em Praga, na República Checa.


"Trabalhamos com duas hipóteses. A de que o indivíduo poderia ter sido um xamã ou alguém do ‘terceiro sexo’”, afirma a arqueóloga Katerina Semradova. “Como o conjunto de objetos encontrados enterrados ao redor do esqueleto não corroborava a hipótese de que fosse um xamã, é mais provável que a segunda explicação seja a correta.”


As escavações foram abertas ao público nesta quinta-feira e a visitação tem sido intensa. O esqueleto foi enterrado sobre seu lado esquerdo, com a cabeça apontando para o oeste e cercado de objetos de uso doméstico, como vasos. Os restos são de um membro da cultura da cerâmica cordada, que viveu no norte da Europa na idade da Pedra, entre 2.500 a.C. e 2.900 a.C.
Nesse tipo de cultura, os homens normalmente são enterrados sobre seu lado direito, com a cabeça virada para o oeste, juntamente com ferramentas, armas, comida e bebidas. Já as mulheres, normalmente sobre seu lado esquerdo, viradas para o leste e rodeada de jóias e objetos de uso doméstico. 
“Partindo de conhecimentos históricos e etnológicos, sabemos que os povos desse período levavam muito a sério os rituais funerários. Portanto, é improvável que essa posição fosse um erro”, disse a coordenadora da pesquisa, Kamila Remisova Vesinova. "É mais provável que ele tenha tido uma orientação sexual diferente."



Fonteshttp://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=10&id_noticia=151520

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,cientistas-encontram-esqueleto-do-que-seria-um-homem-pre-historico-homossexual,702924,0.htm

http://tvnet.sapo.pt/noticias/detalhes.php?id=66447



sexta-feira, 8 de abril de 2011

Realengo: Um olhar multifocal do caso

07 de abril de 2011. Um crime choca todo o país. Logo ganha o nome de massacre.
Um jovem esquizofrênico portando dois revólveres,em poder de muita munição entra numa escola municipal do Rio de Janeiro e dispara contra os alunos.
Os tiros não foram desordenados. Houve a escolha daqueles que iriam morrer. O atirador mirava na cabeça ou no peito das crianças, o que reflete que a intenção dele era realmente matar.
Cerca de 10 crianças morreram ali mesmo, no ambiente que deveria lhe oferecer segurança.
O país inteiro pasma diante deste fato. Todos se comovem e surgem homenagens vindas de todos os lugares. O fato ganha destaque mundial e muitos choram.
Choro, no meu ver, só é sincero quando é vindo das famílias que perderam seus mais valiosos tesouros.
Mas, uma coisa me incomoda profundamente: Toda a sociedade parece estar 'traumatizada' com o ocorrido. Depois que os corpos das vítimas forem sepultados, a maioria esquecerá disso e só lembrará quando a imprensa veicular as homenagens póstumas que fazem em todas as tragédias; ou, quando algo semelhante ocorrer.
O que quero dizer é o seguinte: não é para essa DISFARÇADA DOR dos governos e populares tomar o espaço da CONSCIENTIZAÇÃO dos reais problemas que levaram esse crime a ocorrer.
Se formos olhar esse fato de maneira mais ampla veremos  a questão da ineficiência do sistema de saúde destinada a doentes mentais. O bullying e a falta de uma educação mais inclusiva e racional, a falta de uma educação mais científica e igualitária, que não é coisa nova, é uma discussão que vem desde os filósofos contratualistas, Rosseau, Lock e Hobbes, e tão enfatizada por Condorcet.
A ineficiências das leis de desarmamento, o crime organizado e o contrabando que fornece armas para quem quiser. A falta de segurança nas escolas entre outras coisas, que se formos enumarar, ainda assim não chegaríamos a representar o caos que impera na educação e na sociedade brasileira.
Para muitos isso só poderia ocorrer em outros países. Essa é a filosofia do conformismo e aceitação que a maioria dos cidadãos brasileiros possui.
Eu poderia ser uma das professoras... você poderia ser um funcionário, um dos alunos poderia ser seu filho, o assassino poderia ser um amigo... e aí?
De quem é a real culpa do 'Massacre de Realengo"?
Não é minha, nem é sua, não é das famílias, não é das vítimas, não é da polícia e também não é do assassino.

Como diria o Capitão Nascimento (Tropa de Elite): "A culpa é do sistema".
É esse sistema subdesenvolvido que nos oprime que faz com que pessoas como Wellington Menezes de Oliveira façam coisas desse gênero.
E  o mais engraçado disso é que só condenamos o assassino. Se é para condenar alguém, condenemo-nos também. Somos todos culpados por deixar que esse sistema nos domine, somos culpados por sermos tão egocêntricos no nosso cotidiano  e esquecermos que somos seres sociais.
Não estou defendendo o assassino, mas ele já está morto também, para que esses especialistas "meia boca" ficarem tentando adivinhar o que o Wellington pensava? De que isso serve agora? Seria bem mais sensato que se pensasse mais em educação. Seria bem mais interessante que se pensasse em melhorias para o atendimento a doentes mentais. Seria melhor que discutissem sobre segurança.
Sou louca por dizer isso? Sou sonhadora demais? Não. Sou apenas uma cidadã brasileira pensante.

Sem mais.

Poucos estão atentos

 Poucos são os que gritam

 Muitos são os corruptos

 E todos nós estamos na mira

Muitos são os demagogos




TODOS SÃO VÍTIMAS.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Uma noite na Universidade

Brisa leve. Um novo mundo repleto de novas possibilidades.
As folhas das árvores não se mexem, mas a umidade é muita.
Mesmo no breu ainda é possível ver nuvens movimentando-se levemente no céu.
São várias as vozes, vários os reclames, várias propostas... Tem cheiro de cigarro, som de jogo eletrônico...
Os assuntos são os mais diversos. Falam sobre festas, cidades do interior, jogos de computador e da calourada que vai acontecer próxima sexta feira.
Estou na universidade.
Ao contrário de outros dias; o silêncio se faz presente em mim sentado em seu trono.
Sozinha, com a apostila de filosofia sobre as coxas, em um lugar escuro de uma zona de convivência paro para pensar e escrevo.
Perdida nesse mar psicológico descobri então, algumas verdades que eu não queria enxergar.
Socializo-me com todos; mas a maioria não entende esse meu mundo de letras e livros; de palavras pouco usadas, de poesias escritas  e nunca publicadas.
Minhas companheiras não tem sensibilidade, enquanto eu a trago estampada na alma.

"Muita gente tem forma, mas não tem conteúdo,
Eu não sou alienado, eu não vivo esse absurdo,
Eu conheco o fim da linha, eu renasci do submundo" - Charlie Brown Jr.



Me deram várias alcunhas, mas eu sei que não sou nada do que dizem, nada do que pensam, nada daquilo que elas acham que sou.
Eu tenho equilíbrio, tenho razões e meus meios, sei entender as consequencias dos meus atos. Tenho sentimento mas também tenho praticidade.

JULGUEM OS INFIÉIS, AQUELES QUE NÃO ACREDITAM NA POESIA, MAS, JAMAIS COGITEM A POSSIBILIDADE DE CRITICAR UM APRENDIZ DE POETA POR SUAS IDEIAS.

Sem mais para agora.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Carta de Despedida

Tu, que antes fizestes esquentar meu corpo, deste-me agora a fórmula para esfriá-lo.
Meu coração desvairado que antes sabia apenas te amar odeia-te sem nenhuma dúvida.
Mas, apesar desses sentimentos todos homegenizados na alma, deixo um pedacinho do meu coração reservado, cheio de esperança; esperando o teu regresso a mim.
Queria aconchegar-te em meu seio; fazer-te abrigar em meu colo...queria fazer do teu beijo salvação.
Mas, não quero manchar tua vida, tua reputação... tampouco desfazer-me assim, tão facilmente de meu decoro.
Se tens outra na tua vida, desejo que sejas feliz (ou tente ser) com ela. Não posso (e nem quero) competir com ninguém pelo teu amor.
Querido, quando existem competições ambas as partes ficam com migalhas. Migalhas não me satisfazem.
Por isso, venho a ti pela última vez. Não quero mais te ver, nem te ouvir. Adeus meu amor, saibas que depois destas linhas nunca mais lembrarei de ti.

Meu Sangue / Teu sangue - (João Dantas/Anayde Beiriz)

MEU SANGUE
João Dantas

Em minhas veias circula
Um sangue de carniceiro...
Golfante, rubro, pullula
Na artéria prisioneiro,
Artéria que te estrangula,
Sangue mau, de cangaceiro...


TEU SANGUE
Anayde Beiriz

Sangue... Sangue venenoso,
Arroio quente, opalino,
No teu systema venoso...
Golfeja! Dá-me assassino,
Um banho infernal de gozo
Em teu visco vespertino!


Uma poetisa que não sabe amar?

EU.

Não sei amar, não sei falar de amor. Hoje procuro uma gota de sentimento dentro de mim e não acho. Será normal? Não sei.
De uns tempos pra cá só faço tropeçar. Tropeço na felicidade, no amor... nunca os pego nas minhas mãos.
Penso eu que tudo isso seja reflexo de tantos chutes de cuturno que levei no coração.
Agora faço de tudo para não deixar de acreditar no amor.
O que vejo? Vejo flores bêbadas cheirando a morte despedaçando-se no chão.
O que sinto? Não sinto nada.
Eis o que eu mais temia: Me tornar uma qualquer. Me sinto mais uma no meio do mundo.

domingo, 3 de abril de 2011

OLHOS VERDES QUE ME ENCANTAM - Republicação

Retirei este poema do Blog. Agora decidi republicá-lo, pois não devo nada a ninguém... a vida é minha, os poemas são meus, os sentimentos? esses é que são meus mesmo... Pensaram errado desse poema, pois bem, agora vou esclarecer ele em sua gênese:

"Olhos verdes que me encantam" foi escrito quando eu tinha 17 anos (Dois anos atrás) durante uma festa de casamento. O menino dos olhos verdes se chama Geilson, mora em Sapé (onde eu o conheci) e depois dessa tal festa de casamento nunca mais o vi. Pois bem, o poema não é para quem pensavam que fosse, é para outro que por uma noite roubou-me a razão de viver.

Já não quero mais parar,
Não quero mais fechar o coração
Agora sei que já não estou tão sã...
Fraca está a minha alma,
Sabendo só que a vida é linda e curta demais
E que essa paixão existe e insiste em querer viver.

Esses teus olhos verdes
São a cor que faltava nos meus
E são estes olhos teus
Que me fazem desejar-te mais e mais

Quem dera esses nossos olhos
Nunca tivessem se encontrado...

Ah, meu amado...Como queria não ser mais eu
Para poder te amar sem pudor algum
E ao menos hoje à noite
Ter a chance de aconchegar-me em teu calor
Que Deus me perdoe por quer-te
Tanto assim...

Ideias Libidinosas

Meu sangue rubro
Quente, Sedento
Passa pelas minhas veias
Cortando, queimando
Sei lá o que procurando.

Roubas o oxigênio
Da minha atmosfera
Caio no chão, quieta
Inconsciente, imóvel.

Quando volto a mim
Percebo que ainda estou em ti
Tamanho prazer
Faz-me desvanecer

Amor meu...
É difícil manter esse sentimento detido
Um dia haverás de entender meu motivo.

Garanto-te que quando acontecer
Não seguirei regras morais
Mesmo de longe quero que saibas
Que desde ontem
Sou tua amante.

sábado, 2 de abril de 2011

Não somos estranhos!

Outro dia, na universidade, uma colega que faz Ciências Econômicas deu sua opinião sobre mim. Ela disse que sou estranha e, que tem certeza de que essas pessoas que pensam demais para escrever poemas e crônicas são infelizes e tem uma vida muito chata.
O que pude dizer diante de tal acusação? Simplesmente dei meu ponto de vista. Respondi que não sou infeliz, e, que não penso de mais para escrever. Disse a ela que as ideias vem naturalmente e que o único trabalho é colocá-las no papel.
Diante disso refleti sobre esse pensamento da minha amiga. É bem verdade que alguns escritores são infelizes e tem uma vida monótona, e isso é refletido no que escrevem.
Eu não acho que sou infeliz, nem tenho uma vida chata. Quando me recolho na fortaleza de meus livros e meus cadernos de poesia o faço por opção, não por obrigação... me sinto em outro mundo, onde eu dito minhas regras, meus pensamentos são meus e minha voz é ouvida por alguém. Isso me faz extremamente feliz.
Quando escrevo um poema no qual deposito todo o meu sentimento entro em um estado de êxtase e o leio repetidamente diversas vezes. Fico feliz quando alguém gosta do que escrevo.
Acho que você, caro leitor já me entendeu...não me sinto infeliz em escrever... Nem me acho estranha por passar algumas horas na frente do computador lendo inúmeros livros sobre os mais variados temas, nem dedicando um tempo para este humilde Blog, muito menos em sentar em qualquer meio fio no meio da rua com um pedaço de papel e começar a escrever o que me chama a atenção no naquele momento.
Nenhuma criatura humana é igual a outra. Então acho que não há porque tentar comparar os poetas com os não-poetas. São apenas outros jeitos de olhar e entender o que acontece pelo mundo afora.
Achei válido destacar um poema musicado de Vander Lee, que expressa um pouco dessa minha ideia:

"você diz que não me entende
que eu não vivo na real
que não faço suas vontades
e etecétera e tal
você vai quando me deito
e se me encontro satisfeito
pra você tudo está fora do normal
o que você se esquece
é que sem gente como eu
seria o mundo uma monotonia
que quando está cansada
das mazelas de plantão
o que te faz feliz é minha voz, minha canção
você puxa minha orelha
diz pra eu descer do céu
e provar o doce favo do seu mel
se eu estou aqui perdido
a procura de um refrão
você vem me perguntar se tem comida pro cão
mas se digo os versos
que te fiz noutro verão
me diz amor, me deixa nunca não
no seu computador
ainda toca essa canção
que diz amor, me deixa nunca não."
(Vander Lee - Nunca Não)

OS POETAS SÃO SERES NECESSÁRIOS PARA O EQUILÍBRIO DO MUNDO.

Os poetas e a solidão

Os poetas nasceram para serem sós. É óbvio que isso não é regra, mas são raras as exceções. É difícil um poeta sensibilizar outro ser com o seu ponto de vista.
Eles sonham...São criaturas utópicas, vivem em outro plano, pois apenas eles tem a ciência de saber que não existe essa tal realidade em que vive o comum.
Esses cantadores sabem enxergar a beleza onde ninguém mais vê. Mas, também é na ponta de suas canetas que se denunciam todas as mazelas proeminentes da sociedade fétida em que vivem.
São por essas idéias que vivem em conflito na cabeça dessas criaturas pensantes que os outros seres se afastam.
Chamam esses artistas de loucos, os rotulam de estranhos, os insultam... (pobres alienados; não sabem o que dizem) magoam a alma desses poetas.
Mesmo tendo tanto conhecimento no campo das emoções, os poetas ainda são os que mais sofrem, pois trazem os sentimentos à flor da pele .
O mundo não sabe o que perde ao não valorizá-los, mas eles não se importam com isso; ao contrário do que se pensa, não querem fama... querem apenas que suas vozes sejam ouvidas ao menos por uma pessoa.
Os poetas nasceram para a solidão. Dormem sozinhos, acordam sozinhos, almoçam sozinhos... mas quem disse que para o poeta ser feliz precisa estar acompanhado? Se não vivessem na solidão que vivem; eles não seriam poetas.
A solidão é que dá essa nova perspectiva, dá a sensibilidade e esse olhar aguçado sobre os fatos que os cercam.


Admiro meus amigos poetas, meus colegas poetas, meus leitores...meus visitantes...

Abraço a todos!!!