sexta-feira, 22 de abril de 2011

Lâmina Bendita

E ele veio à noite, para meu frio aplacar. Tomou-me em seus braços, e num beijo quente senti meu corpo querer mais, mais dele, mais daquele calor.
De repente vi aquelas mãos passeando pelo meu corpo... Foi uma sensação única. Era um lugar inapropriado, de um jeito inesperado; por isso aquele gosto, aquele delicioso sabor de aventura.
A língua dele nos meus lábios...senti aquela boa cheirando a menta descendo pelo meu pescoço... descendo... descendo... descendo pelo meu decote. Aquela barba por fazer arranhando minha pele...
Sem querer, mas desejando muito, senti ele homem... que mais eu poderia fazer?
Bendita seja essa lâmina que na quarta feira de trevas rompe minhas carnes mortas, e me faz sentir o que há muito não sentia; o que pensei que não mais existia, e ele, com tanto carinho, fez arder meu sangue de mulher.
Antes de conhecer aquele homem era eu uma santa, ainda de votos provisórios que professei religiosamente e voluntariamente, mas que não conseguia me livrar de jeito nenhum. Agora sinto-me com uma puta, mas não qualquer uma, pois sendo dele meu corpo, não me sinto culpada pelos meus atos .
Vi o rosto dele feliz, um sorriso largo, que tinha prazer estampado, e isso ele não quis esconder. Pediu um novo encontro, eu não pude negar.
Antes parecia loucura fazer aquilo, era como se fosse pecado de morte, mas depois daquele prazer, daquele toque, daquele cheiro de paixão, todas as minhas culpas cristãs sumiram.
Por tempos desejei, esperei por um príncipe como aquele, de lábios deliciosos, de corpo aconchegante, de braços fortes e calmantes...
Cheguei em casa. Deitei-me e não consegui esquecer aquele sorriso de aparelho azulzinho, que cortou o cantinho da minha boca, e que mudou o curso da minha vida.
Perguntaram-me se por ele eu estou apaixonada. Respondi que ainda não, mas confesso que quero estar, para que então o nosso prazer seja pleno e que eu permaneça livre pra aqueles atos, gestos loucos, mas muito gostosos.
E nada nesse mundo irá apagar o que senti aquela noite.

Bendito seja aquele corpo
Bendita seja aquela boca
Bendita seja aquela lâmina
Que me faz não mais voltar
Aquele mundo de solidão.

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