sexta-feira, 8 de abril de 2011

Realengo: Um olhar multifocal do caso

07 de abril de 2011. Um crime choca todo o país. Logo ganha o nome de massacre.
Um jovem esquizofrênico portando dois revólveres,em poder de muita munição entra numa escola municipal do Rio de Janeiro e dispara contra os alunos.
Os tiros não foram desordenados. Houve a escolha daqueles que iriam morrer. O atirador mirava na cabeça ou no peito das crianças, o que reflete que a intenção dele era realmente matar.
Cerca de 10 crianças morreram ali mesmo, no ambiente que deveria lhe oferecer segurança.
O país inteiro pasma diante deste fato. Todos se comovem e surgem homenagens vindas de todos os lugares. O fato ganha destaque mundial e muitos choram.
Choro, no meu ver, só é sincero quando é vindo das famílias que perderam seus mais valiosos tesouros.
Mas, uma coisa me incomoda profundamente: Toda a sociedade parece estar 'traumatizada' com o ocorrido. Depois que os corpos das vítimas forem sepultados, a maioria esquecerá disso e só lembrará quando a imprensa veicular as homenagens póstumas que fazem em todas as tragédias; ou, quando algo semelhante ocorrer.
O que quero dizer é o seguinte: não é para essa DISFARÇADA DOR dos governos e populares tomar o espaço da CONSCIENTIZAÇÃO dos reais problemas que levaram esse crime a ocorrer.
Se formos olhar esse fato de maneira mais ampla veremos  a questão da ineficiência do sistema de saúde destinada a doentes mentais. O bullying e a falta de uma educação mais inclusiva e racional, a falta de uma educação mais científica e igualitária, que não é coisa nova, é uma discussão que vem desde os filósofos contratualistas, Rosseau, Lock e Hobbes, e tão enfatizada por Condorcet.
A ineficiências das leis de desarmamento, o crime organizado e o contrabando que fornece armas para quem quiser. A falta de segurança nas escolas entre outras coisas, que se formos enumarar, ainda assim não chegaríamos a representar o caos que impera na educação e na sociedade brasileira.
Para muitos isso só poderia ocorrer em outros países. Essa é a filosofia do conformismo e aceitação que a maioria dos cidadãos brasileiros possui.
Eu poderia ser uma das professoras... você poderia ser um funcionário, um dos alunos poderia ser seu filho, o assassino poderia ser um amigo... e aí?
De quem é a real culpa do 'Massacre de Realengo"?
Não é minha, nem é sua, não é das famílias, não é das vítimas, não é da polícia e também não é do assassino.

Como diria o Capitão Nascimento (Tropa de Elite): "A culpa é do sistema".
É esse sistema subdesenvolvido que nos oprime que faz com que pessoas como Wellington Menezes de Oliveira façam coisas desse gênero.
E  o mais engraçado disso é que só condenamos o assassino. Se é para condenar alguém, condenemo-nos também. Somos todos culpados por deixar que esse sistema nos domine, somos culpados por sermos tão egocêntricos no nosso cotidiano  e esquecermos que somos seres sociais.
Não estou defendendo o assassino, mas ele já está morto também, para que esses especialistas "meia boca" ficarem tentando adivinhar o que o Wellington pensava? De que isso serve agora? Seria bem mais sensato que se pensasse mais em educação. Seria bem mais interessante que se pensasse em melhorias para o atendimento a doentes mentais. Seria melhor que discutissem sobre segurança.
Sou louca por dizer isso? Sou sonhadora demais? Não. Sou apenas uma cidadã brasileira pensante.

Sem mais.

Poucos estão atentos

 Poucos são os que gritam

 Muitos são os corruptos

 E todos nós estamos na mira

Muitos são os demagogos




TODOS SÃO VÍTIMAS.

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