domingo, 1 de maio de 2011

Amor desvairado entre amigos

"Advirto-te porém, que beijos são como vinhos raros;
Quanto mais velhos, melhor embriagam"
Anayde Beiriz


Só os desesperados é que choram. Por isso, querido, te escrevo em lágrimas. Sinto o frio do meu coração, sinto esse dia cinza, pois,  criei a ideia de que não vais mais voltar.
Por temer tua perda, disse-te, olhando nos teus olhos, que nunca deveria ter acontecido entre nós. Pois bem, aconteceu. Embriaguei-me em ti. Agora até as flores do meu quintal morrem junto comigo.
Tu me conheces melhor que qualquer outra criatura. Sabes de todos os meus artifícios, por isso reafirmo a minha dor por aquilo ter acontecido.
Não és uma lâmina.És uma flor que me toca delicadamente a pele, por isso, marcas mais minha alma que qualquer outro.
Gosto de ti pelo arbítrio que me dás: Não tens ciúmes de mim, não condicionas meu pensar, nem meu corpo, nem meu beijo. Me deixas livre e dizes que acreditas na minha maturidade. Isso me enlouquece. Me passas tamanha confiança por saberes das minhas crises de infantilidade.
És um louco por gostar de mim. Admiro-te por teres sido persistente, paciente e compreensivo. E sei que não és igual aqueles que me querem dentro de certos limites. Me queres para o mundo inteiro, e é isso que temo.
Temo por não saber se sou capaz de ser para você aquilo que queres; não posso (ou não quero) dar-te o que desejas para o futuro, não posso dar-te nada além de mim mesma. Isso me preocupa. Sei que mereces mais, mereces uma família, tranquilidade, religião... Sou o contrário de tudo que almejas.
Não pretendo gerar família, tenho uma vida agitada. Dedico-me às ciências de tal modo que não me sobra tempo para exigências  típicas de um relacionamento. 
Certo que também és um homem comprometido com os livros, mas existe um abismo enorme entre nós, quando se trata de levarmos a sério essa relação.
Mentiria se eu dissesse que não estou apaixonada por ti; mas não acho isso nem um pouco sensato.
A distância nos tornará medíocres e o nosso amor não passará da trivialidade. O ciúme, que vem de mim, nos condenará à miséria humana.
Amo-te por seres um poeta, mas bem sabes que sou fulgaz.

Peço-te perdão, meu amor por todo esse lamento que te dediquei; mas preocupo-me com o futuro. Se levarmos isso adiante o que será de nós.


Escrevi aqui aquilo que não tenho coragem de te dizer. Meu eu-lírico parece ser mais forte que a simples amiga que tens. 




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