terça-feira, 28 de junho de 2011

Amor de poetas

Amor...
            do mais cândido aroma;
            Que aguça todos os sentidos.

Amor...
             Que enlouquece.
              Que converte em matéria a mais angelical beleza.
Amor que transborda os fluídos quentes d'alem pele...

Amor singelo em puro sentimento;
Amor profano em seus atos de desejo.
Amor próprio,
Amor nosso...

Amor entre poetas...   
                                 Amor de corpos e letras.

Amor indelével,
                        incorruptível,
                                            incontido,
                                                             incontroverso...

Amor dele;
Amor meu...
                                                                                                 Nosso amor.




terça-feira, 21 de junho de 2011

A pena do desejo que restou

Só me dirijo às pessoas capazes de me entender, e essas poderão ler-me sem perigo.
Marquês de Sade

A ponta da pena, banhada pela tinta negra da perversão fez aquele poeta morrer engasgado com a sua própria cruz.
O peito manchado de sangue, os olhos sedentos de carna crua, de vida, de luxúria.
Incumbiram-lhe a missão de documentar o mundo através de suas letras, deram-lhe as ferramentas, a caneta, a tinta, a pena... depois as tomaram num gesto brusco, usurparam-lhe os meios. 
Deixaram vazio seu quarto.
Nenhum pergaminho, nenhum outro modo de gritar desumanamente contra a fumaça dos canhões e ao cheiro fúnebre da lâmina decapitadora.
Pôs-se a escrever com a alma, com a volúpia e o ódio que queimavam em seu corpo. Cuspiu toda a imoralidade há muito estava retida.
Quiseram-lhe cortar a língua. Tentaram arrancar-lhe os olhos na vã e cruel tentativa de fazer com que ele parasse de escandalizar a si próprio.
Era ele pura sedução.
Continuou a esbravejar pelas ruas, contra governos, impérios e igrejas. Seu brado de verdade continuava a reproduzir a miséria humana.
Ser humano desgraçado - como qualquer outro - foi tomando, aos poucos, a forma de um deus, trazendo seus músculos em plena demonstração. Correu pelas trincheiras como que fugisse do combate por ele travado ao momento que entendeu-se como escritor.
Da mente brilhante que tinha, surgiram os contos mais imoralistas, mais cruéis, porém, eram eles o retrato da desgraça que é insuflada os vivos.
Caligrafou a própria pele.
Sangrou a ponta dos dedos e escreveu nos lençóis com aquele seu líquido vermelho; o seu sangue miserável.
Medíocres, todos os que o condenaram. Perfeitos imbecis, encarcerados que veem beleza em serem manipulados a todo instante.
O mundo, estúpido, não esteve pronto para seus escritos. Não esteve e nunca estará. O mundo, a sociedade não aceita ver a própria miséria.
Malditos os que vão contra a verdade e encontram na mentira o combustível que os movimenta como parasitas por sobre a terra.
O humano, em si, já é um pervertido. Todos os conjuntos de valores, ridículos como são, servem como tinta nas bochechas do palhaço: disfarça; mas não engana.
E os que não usam tal maquiagem são execrados, guilhotinados, enlouquecidos por outrem. Foi o fim do saudosíssimo poeta.
Não há nas ciências solução, estudo ou qualquer outra inclinação que explique e defina o quão o ser humano é desgraçado pela sua pequenez de alma.
A inveja torturante, o insulto diabólico dirigido ao poeta fez  com que aquele cérebro encontrasse a loucura. Confesso-lhe, leitor, que nunca vi tanta lucidez na loucura daquele homem.
Quiseram-lhe comer a carne com aquele dentes podres e fétidos. Quiseram acorrentá-lo, privaram-no da luz solar e forneceram-no o frio das paredes concretadas de gris.
Seu nome foi enterrado junto com seu corpo, sua poesia foi posta no caixão do esquecimento.
A alma que não entrega-se a desgraça da maioria padece em vida, e encontra na morte sua mais gloriosa vitória.
O poeta foi natural. Isso o condenou.
O universo serviu-lhe sua taça esborrando ódio apenas.
Morrer poeticamente é a maior aspiração dos mártires das letras. Esperava ele a aceitação. Quis compartilhar com os outros o mesmo gozo que sentia ao escrever. 
Publicar não é sinal de pedantismo. É reflexo do orgasmo filosófico , da humildade em dividir a ciência atribuída ao escritor.
Publicar é escrever com a pena do desejo a própria sentença. Os leitores é que decidirão sua sorte.

*Aos algozes que querem lançar ao fogo as minhas quimeras.


Vou-me pela porta estreita; pois a larga causa-me repugnância.

domingo, 19 de junho de 2011

Para quem me odeia - Fernanda Young


Eu te amo. E não seria metade do que sou sem você, juro.
É seu ódio profundo que me dá forças para continuar em frente, exatamente da minha maneira.
Prometa que nunca vai deixar de me odiar ou não sei se a vida continuaria tendo sentido para mim.
Eu vagaria pelas ruas insegura, sem saber o que fiz de tão errado.
Se alguém como você não me odeia, é porque, no mínimo, não estou me expressando direito.
Sei que você vive falando de mim por aí sempre que tem oportunidade, e esse tipo de propaganda boca a boca não tem preço.
Ainda mais quando é enfática como a sua - todos ficam interessados em conhecer uma pessoa que é assim, tão o oposto de você.
E convenhamos: não existe elogio maior do que ser odiado pelos odientos, pelos mais odiosos motivos.
Então, ser execrada por você funciona como um desses exames médicos mais graves, em que "negativo" significa o melhor resultado possível.
Olha, a minha gratidão não tem limites, pois sei que você poderia muito bem estar fazendo outras coisas em vez de me odiar - cuidando da sua própria vida, dedicando-se mais ao seu trabalho, estudando um pouco.
Mas não: você prefere gastar seu precioso tempo me detestando.
Não sei nem se sou merecedora de tamanha consideração.
Bom, como você deve ter percebido, esta é uma carta de amor.
E, já que toda boa carta de amor termina cheia de promessas, eis as minhas:
Prometo nunca te decepcionar fazendo algo de que você goste. Ao contrário, estou caprichando para realizar coisas que deverão te deixar ainda mais nervoso comigo.
Prometo não mudar, principalmente nos detalhes que você mais detesta. Sem esquecer de sempre tentar descobrir novos jeitos de te deixar irritado.
Prometo jamais te responder à altura quando você for, eventualmente, grosseiro comigo, ao verbalizar tão imenso ódio. Pois sei que isso te faria ficar feliz com uma atitude minha, sendo uma ameaça para o sentimento tão puro que você me dedica.
Prometo, por último, que, se algum dia, numa dessas voltas que a vida dá, você deixar de me odiar sem motivo, mesmo assim continuarei te amando. Porque eu não sou daquelas que esquece de quem contribuiu para seu sucesso.
Pena que você não esteja me vendo neste momento, inclusive, pois veria o meu sincero sorrisinho agradecido - e me odiaria ainda mais.

Com amor, da sua eterna... Fernanda Young (ou Amanda...)

sábado, 18 de junho de 2011

Erro de interpretação

Vê só  que lhe interessa e interpreta do jeito que lhe parece favorável.
Se deve alguma coisa teme pelo que os outros escrevem...
Que pequenez!
É a inveja de ver os outros crescendo...
É o horror de passar desapercebido
É o velho orgulho machista que não admite ser superado por uma mulher...
Eu! Uma mulher?! Uma menina... que nem vinte anos tem ainda...
Gargalho ao imaginar a ação que teve quando viu minha estrela brilhar...

Não te preocupes... comecei agora e não pretendo parar tão cedo...
Meus leitores são o combustível que me move pelo universo.
Enquanto houver quem leia o que escrevo eu não hei de parar... Continuarei
Em meio a críticas e insultos direcionados a mim e a minhas histórias...

Sei que tantas outras escritoras sofreram para conquistar seu espaço... Tantas foram censuradas, torturadas, tiveram que assinar com seus pseudônimos masculinos... Eu não tenho codinome, e dou minha face a bofetes mesmo... Se tantas deram seu sangue pela poesia eu não vou abdicar deste meu hábito...

Falta criatividade a tantos... Por isso que fazem o que fazem.

Continuarei... amadurecendo cada vez mais no universo literário...


A poesia não nasce das regras, a não ser em parte mínima e insignificante; mas as regras derivam das poesias; e, no entanto, são tantos os gêneros e as espécies de verdadeiras regras, quanto são os gêneros e as espécies de verdadeiros poetas.
Giordano Bruno

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Mais uma de defesa própria

É verdade. Sempre penso besteira. É na madrugada que penso mais besteira. Pra que tanta besteira? Tanta sem sem-vergonhice na minha cabeça? Ah! É porque a sociedade não permite que eu me realize plenamente... Sou antiética? sou imoral? Quem inventou a moral certamente não tinha um pingo de vontade de viver feliz; este indivíduo não sabia o prazer de poder fazer o que se sente vontade.
Pouco me importa o que pensam de mim... Sim! Cortei meus cabelos, e daí? Achou feio? Não me interessa a opinião de outrem. Sou feliz, sou mulher PLENA... Satisfeita comigo mesma. Tenho segurança, sei o que faço.
Sim! Sou mulata d olhos puxados À nissei. Sou nordestina, poetisa e paraibana. Tenho coxas de africana... Me acha feia? Dissimulada? Cada qual é livre para a opinião que quiser ter. Respeito a sua, portanto, respeite também a minha.
Almejo muito mais que isso, muito mais que tenho, muito mais que posso... Sonho muito; mas meu preto diz que sonho com os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Penso que isso é bom... Não sei.
Guarde suas indagações sobre mim. Observe-me; copie-me. Não cobro direitos autorais sobre a minha pessoa. Não desejo ser mais que ninguém; quero é ser igual.
Minha poesia sou eu transformada em palavras numa pauta cor de rosa.
Eu não me vendo, não me compro; nem me copio. Nunca. Minha caneta é livre.

Pode continuar pensando que sou uma puta. Não ligo. Sinto-me livre para escrever o que ainda é natural no ser humano.


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Léo... Mais um que voa para longe... para nunca mais...

É na arte que o homem se ultrapassa definitivamente.
Simone de Beauvoir

Nove de Junho de dois mil e onze.Celular toca... Identificação de um amigo que há muito não liga. Penso Logo bobagem...E desta vez eu não estava errada.Atendi com um certo receio... ouvi... uma lágrima tímida desceu pelo rosto.Meu Deus! Como pode acontecer tanta coisa ruim de uma única vez?Mais um artista que se vai...Um poeta ia atravessando uma rua; vinha de um Sarau. Algo  o atropelou. Foi instantâneo. Irônico...Ele costumava sempre deixar-se atropelar pelas ideias, pelos versos... e pensar que não se completaram nem seis meses que o nosso amigo e mestre viajou para nunca mais... É triste.
Não sei se é triste para quem deixa de viver ou se é mais triste ainda para quem fica aqui, vendo a morte da esperança alheia.Leonardo tinha tantos sonhos... Amava Daniel. Daniel por ele morreu. Eram amigos meus. E agora? Me vejo cercada por tanta gente, mas ao mesmo tempo sozinha, pois eles tinham grande parcela da minha vida.Para os íntimos, essa história parece loucura dos deuses. Eu ainda não acredito.Foi ontem, me disseram. Mas eu, não tenho coragem de ver mais um dos meus sem fôlego, sem sangue corrente... Não! eu me recuso a isso!Não vou à Recife há algum tempo. Acho que não quero ir tão cedo por lá... Aquela terra, que me fez tão feliz um dia, agora engole, pouco a pouco as quimeras dos amigos que eu tinha.Cruel Assassina, que rouba os sonhos deles e os meus.
Léo;Fomos o que pudemos ser.Foi o que desejou.O homem, mesmo que no meio do caminho encontre a morte;Dará as mãos à ela somente se já tiver cumprido boa parte de suas quimeras.Depois de tantas marés altas nada melhor que a calmaria em alto mar.Os que ficam é que sofrem com a ressaca das ondas...
Havia um desejo sobrehumano ...Era o desejo de vocês ficarem juntos...Se alguém aqui na terra não permitiu... Os deuses; nos céus deram aval aos dois.Chorar? Eu? Choro... Sou sentimental de mais.Mas aprendi que é só assim que se encontra a liberdade em plenitude.
Era um artista! Os artistas é que sabem viver!Viveu tudo o que podia... E o que não lhe era de direito também!
Felicidade; sempre! Sorriso nos lábios; que nada possa apagar!Sonhar e Lutar.

Vou sentir saudades...


Tanta coisa não há de vigorar. E eu, quando começo a escrever, a lembrar d'outros tempos... ah... pensamento navega longe... eram tantos sonhos... Os sonhos e os cérebros evoluíram... Pensei que deveria mudar. Chorei, mas foi preciso. De princesa transformar-se em rainha. É fatal. Versos podem mesmo se tornar realidade?

segunda-feira, 6 de junho de 2011

De como as coisas podem ser diferentes

Apareceu aquela criatura, de Havaiana preta no pé. Calça jeans bem surrada, barba longa e branca. Cabelo grande e grisalho. Magro... muito magro.
Foi em direção ao altar, preparou alguma coisa por lá e dirigiu-se à sacristia.
Fiquei curiosa.
Prestei ainda mais atenção naquele ser que parecia um E.T., ele simplesmente não parecia pertencer aquele lugar.
Foi no mínimo inusitado, quando eu perguntei a Antônio:
-Quem é esta pessoa.
Antônio responde:
-É o Padre.

Eu, acostumada com o Déspota da minha paróquia, que só anda no seu Gol 2011 ( ar condicionado, vidros e travas elétricas) não tive outra atitude a não ser o riso.
Eu não estava entendendo nada daquilo. Que cena era aquela que eu, uma ex-vocacionada, católica carismática me via num completo estado de demência!
Minha cabeça parecia uma Matrix, chovendo tanta informação ao mesmo tempo.
Foi quando me deu mais raiva do tirano que "manda" na minha paróquia.
O padre de Havaiana preta e jeans, que tocava no seu velho violão cantigas para incentivar aquele povo pobre  e humilhado dum bairro do subúrbio santarritense a se movimentar simplesmente me conquistou.
Foi como ver Mick Jagger fazendo uma homilia.
Aquilo era qualquer coisa, menos uma missa daquelas que o Vaticano pede. Eu gostei. Foi diferente para mim. Senti um pouco de esperança, de renovação na Igreja.
O padre de Havaiana é um grito contra a tirania, o despotismo, a hipocrisia que reina na Igreja. Eu, que venho denunciando e indo contra a doutrina arcaica me deixei embalar por aquele sotaque europeu do Padre.
Senti saudades do meu confessor dos tempos de vocacionado. Senti falta da autenticidade, da verdade. Da comunhão com o povo.
O padre tirano que "governa" a minha paróquia não sai do presbitério. É de lá que ele manipula as mentes fracas do meu bairro. Ele engana; eu falo a verdade.
Verdade, nestes nossos últimos dias.

As coisas são muito diferentes. Percebi quando deixei os ritos e paranóias da RCC. Pretendo conhecer as entranhas das Cebes e depois dar minha opinião.

A Igreja precisa deixar de ser hipócrita. Precisa deixar os altares e cálices luxuosos e ir beber água em forma de barro junto com o povo que precisa de algo mais que palavras retiradas de um livro. O povo é a Igreja, só que ainda não percebeu, e atém-se aos falsos padres mais conhecidos como reis.

Espero não ter atingido ninguém. Se atingi, estou no meu direito: Liberdade de expressão é um direito constitucional.


Contra o pároco-déspota.