segunda-feira, 6 de junho de 2011

De como as coisas podem ser diferentes

Apareceu aquela criatura, de Havaiana preta no pé. Calça jeans bem surrada, barba longa e branca. Cabelo grande e grisalho. Magro... muito magro.
Foi em direção ao altar, preparou alguma coisa por lá e dirigiu-se à sacristia.
Fiquei curiosa.
Prestei ainda mais atenção naquele ser que parecia um E.T., ele simplesmente não parecia pertencer aquele lugar.
Foi no mínimo inusitado, quando eu perguntei a Antônio:
-Quem é esta pessoa.
Antônio responde:
-É o Padre.

Eu, acostumada com o Déspota da minha paróquia, que só anda no seu Gol 2011 ( ar condicionado, vidros e travas elétricas) não tive outra atitude a não ser o riso.
Eu não estava entendendo nada daquilo. Que cena era aquela que eu, uma ex-vocacionada, católica carismática me via num completo estado de demência!
Minha cabeça parecia uma Matrix, chovendo tanta informação ao mesmo tempo.
Foi quando me deu mais raiva do tirano que "manda" na minha paróquia.
O padre de Havaiana preta e jeans, que tocava no seu velho violão cantigas para incentivar aquele povo pobre  e humilhado dum bairro do subúrbio santarritense a se movimentar simplesmente me conquistou.
Foi como ver Mick Jagger fazendo uma homilia.
Aquilo era qualquer coisa, menos uma missa daquelas que o Vaticano pede. Eu gostei. Foi diferente para mim. Senti um pouco de esperança, de renovação na Igreja.
O padre de Havaiana é um grito contra a tirania, o despotismo, a hipocrisia que reina na Igreja. Eu, que venho denunciando e indo contra a doutrina arcaica me deixei embalar por aquele sotaque europeu do Padre.
Senti saudades do meu confessor dos tempos de vocacionado. Senti falta da autenticidade, da verdade. Da comunhão com o povo.
O padre tirano que "governa" a minha paróquia não sai do presbitério. É de lá que ele manipula as mentes fracas do meu bairro. Ele engana; eu falo a verdade.
Verdade, nestes nossos últimos dias.

As coisas são muito diferentes. Percebi quando deixei os ritos e paranóias da RCC. Pretendo conhecer as entranhas das Cebes e depois dar minha opinião.

A Igreja precisa deixar de ser hipócrita. Precisa deixar os altares e cálices luxuosos e ir beber água em forma de barro junto com o povo que precisa de algo mais que palavras retiradas de um livro. O povo é a Igreja, só que ainda não percebeu, e atém-se aos falsos padres mais conhecidos como reis.

Espero não ter atingido ninguém. Se atingi, estou no meu direito: Liberdade de expressão é um direito constitucional.


Contra o pároco-déspota.

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