domingo, 28 de agosto de 2011

De uma mulher desiludida

Ah! Meu bem
Não digas pelos bares
Que eu sou vulgar,
Que eu sou uma qualquer.
Não ouse o meu nome pronunciar,
Nem afirmes aos teus
Que me queres
Que sou tua fêmea.
Não sou mais aquela que
Um dia, ingênua
Te desejou
Para a vida inteira.
Hoje dizes que eu
Não passo de uma quenga,
Pois teus amigos já me presenciaram
Na presença de outro alguém.
Como tu podes me chamar de puta?
Se o sou, foi tua culpa.
Ah! meu amor...
Não chores nem te maldigas,
Não sofras, Não te arrependas
Não temas a mim, afinal
O que eu poderia te fazer de mal?
Sejamos livres!
Seja honesto consigo me deixando partir.
Não hei de te perseguir.
É como se eu
Nunca houvesse te conhecido.
Vá ser feliz,
Pois eu vou procurar outros ombros,
Outras bocas, outros corpos.
Ainda tenho muito para viver
E sigo
Sem ouvir os comentários das beatas,
Sem me importar
Com os apontamentos nas ruas.
Não me interessa o que acham,
O que dizem,
O que pensam,
O que concluem...
Só te digo,
Querido,
Que esta quenga,
Esta puta,
Esta fêmea
Vai deitar na cama
Do homem que lhe aprouver.
Prometo delirar,
Entregarei-me a outro qualquer
Que saiba dar o prazer
Que você não soube dar.
Adeus, meu bem,
É hora de ser o que se é
Sem precisar fingir.
Amei só a ti,
Agora amo a todos
Que souberem me fazer feliz
Num ato pleno de gozo.


**Vale salientar que assino esta poesia sem pseudônimo.

Amanda de Souza
27/08/2011

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sonharei outro...

Às vezes erramos no sonho.
O vento frio que invade a pracinha que tem alegria no nome me lembra de uma noite, aqui na universidade, onde eu sonhava com um amor que não fosse perfeito, mas que fosse exatamente do jeito que eu estava sonhando.
Hoje, sozinha, analisando os fatos ocorridos no último mês chego a uma conclusão: Quero mais dessa vida que me maltrata, quero mais aventura, mais decisão.
Quero amores que só possam ser amados hoje e que amanhã sejam esquecidos. Quero mudar de opinião a cada segundo.
Quero ter a liberdade de tomar uma cerveja com meus amigos homens sem ter ninguém pra fazer vista grossa diante disso.
Quero me deitar com quem eu quiser, me apaixonar por qualquer um, escrever o que eu quiser.

Estou tomando a convicção de que nasci para mim mesma, e não para outro ser que me limite.
Meu melhor amigo diz que sou uma mulher de asas. Pois bem, É necessário voar sem limites, navegar sem saber em que porto ancorar.
Seja o que for, eu só quero viver a arte de amar o mundo.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O que seria da vida sem a aventura dos erros? Cair e levantar com mais força, seguir pro objetivo maior com mais ânimo, ouvir a voz de outros corações pedindo pra que a gente não desista... Um dia a gente se torna rei de novo, com muito mais prestígio que antes ...

Uma luz no fim do túnel

Quando depositamos com todas as nossas forças a felicidade naquela pessoa a quem achamos amar, quando percebemos que o que pensávamos ser um sonho não passava de utopia, não é uma dor qualquer que se sente. É a dor que é só sua e que parece ser a única do mundo, pois você sente como se cada ferida aberta do seu coração estivesse sendo preenchida com sal. Parece que machucam todos os teus pontos fracos de uma única vez.
E não importa o que você disse. Não interessa quantas fichas você apostou.
Quando acaba, não interessa mais o que você fez ou deixou de fazer.
É o fim.
Nada mudará essa conclusão.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Eu - O impulso

Mulheres contidas,
Secas de vontade.
Desconhecidas,
Maltratadas.
Submissas,
Neutras.
Mutiladas.
Fabricadas.
Sem corpo,
Sem sexo,
Sem voz:
A mulher ideal para ser amada.

Idealistas,
Críticas,
Independentes.
Mulheres sem arreios,
Que possuem corpo, voz
E sexo
Não são as mulheres
Que muitos desejam.

Eu não sou a moça do sonho,
Me recuso ser a criatura
Que quase não existe nesse mundo.

EU SOU O IMPULSO
A flor despetalada,
A mulher incontida,
O ser cheio de vontades.


Pois é queridos;
Não sou nem um pouco comum...
JAMAIS serei
Igual a uma das princesas da Disney.
Vale salientar
Que também não sou um poema-não-rimado
E menos ainda uma coisa cheia de rimas.


"Recomeçando das cinzas eu faço versos tão claros; projeto sete desejos...

                                                                                                       Alceu Valença






sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Ao que fez parte da minha vida



Através das grandes dores é que podemos perceber os mínimos detalhes.
O que eu disse para assustar alguém? Acaso não era eu? Um erro foi esse final nosso.
Passou e não vai voltar... Só queria saber porque ainda sonho com o regresso.
O tempo vai passando e não há nada que eu possa falar.
Nada foi em vão. Amei. Não ouso dizer que ainda amo pois não vou conjugar o verbo em mais sofrimento ainda.
Mas é isso, a vida é feita de escolhas que fazemos e eu escolhi ser assim. Não posso mudar aquilo que sou por dentro.
Fui sincera e só. Temos medo do que não conhecemos e convenhamos, muita gente não me conhece realmente.
Não considero ilusão.
Quero acreditar que tudo foi verdade para que nenhuma lágrima a mais role pelo meu rosto.
Eu mudei por ele. E agora vejo o horizonte em amplidão.
Não importa o que eu disse, se tudo foi bem ou mal interpretado.
Eu senti mais do que eu podia.
Ele não é ex. Ele fez parte da minha vida. Isso não há como esquecer ou negar.


"Que a vida me leve afinal
Não tenho mais medo de errar e aprender
Com meus passos escuros
Eu mudei por você
Mas não quis sofrer
Por ser tão real pra mim
Vou
Aprendo a viver
E num segundo perder
O medo de ser quem eu sou
Ser quem eu sou"
Hevo 84 - Passos escuros

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Dor (Liz Christine)





Sozinha e vulnerável
A dor é intragável
E é patética essa poesia
Não, na falta de companhia
Nem existe poesia
Arte é relação
E quanto mais pessoas à minha volta
Mais eu me sinto entregue
À solidão
E nem há ódio nem revolta
Que a inércia me carregue
Nada faço em depressão
Quero o prazer de viver de volta
Porque arte é paixão
Que sustenta e alimenta
O desejo
De viver e criar
E quando me vejo
Chorando
Amar
Anulando
A angústia e o vazio
Porque amor é o sentido
E sem ele nada crio
E ele é você
Meu amor pervertido
Agora você lê
O que prefiro esconder
Os fetiches? A depravação?
Eu preciso dizer
Que onde há paixão
Não existe nunca depravação
Baixaria
Não é fuder amando
Nem escrever poesia
Estando
Nua
Baixaria
É chorar


O sofrimento sempre me parece
Vulgar
E só amor me abastece
Para criar
Odeio a dor
E adoro me expor
Para me enxergar
E me conhecer
Florescer
Tão
Perfumada
Mergulhada
Em paixão
Venha à tona
Poesia
Aroma
Que me guia
Se não estou apaixonada
Eu me sinto desnorteada.




IN: http://cseabra.utopia.com.br/poesia/

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A fera está chagada, mas retornou.

Procurei inspiração em outras mil quatrocentas e oitenta e nove coisas, mas não consegui escrever nada que não fosse isso que está dentro de mim.
Fui pega no meio do caminho por uma dor indescritível.
É horrível ter que encarar  tudo sozinha. É triste olhar para tantos planos e vê-los todos quebrados no chão.
Reconheço que fui menina quando eu precisei ser mulher, mas, fazer o que agora? Tenho que seguir tentando lembrar o mínimo possível dos fatos ocorridos nas últimas semanas.
Por um amor deixei de fazer tudo que eu gostava... Parei de escrever, deixei de lado muitos amigos, mudei totalmente quem sou. Renunciei a uma oportunidade que ia me ajudar muito na minha carreira profissional para não ficar longe dele... e agora? Fui abandonada.
Eu não o odeio... me decepcionei mais comigo do que com ele.
Eu não devia ter me adaptado a ele... e acabou quando eu pedi para que ele fosse se familiarizando com coisas minhas.
Sei que coisas assim acontecem com um monte de gente por aí, mas dói mais quando a dor é sua.
É horrível ser ignorada por aqueles que você tinha como irmãos... é difícil ser julgada quando os algozes não sabem metade do enredo do cordel.
É amigos... quero muito voltar a ser quem eu era, a escrever como eu escrevia, mas não sei porque eu sinto que a chaga vai demorar a fechar. Enquanto isso, vou voltar a escrever.

Não Eu não hei de chorar [...]
Tu me conheces bem pouco. Por isto é que me falas em lágrimas.
Só os desesperados é que choram e eu continuo a esperar [...]
Pouco se me dá saber da tua nova paixão [...]
É tão vulgar a existência de outra mulher no destino do homem que a gente deseja [...]
E, bem sabes, no amor, como em tudo, apenas me seduz a originalidade [...]
A razão por que gostei de ti?
Porque pensei que tu eras louco [...]
Tive sempre a extravagância de achar deliciosos os loucos que julgam ter juízo [...]
Desiludiste-me afina!
[...] E é tão desinteressante um homem ajuizado que finge de louco [...]
Dizes que me procurarás esquecer. Ingênuo!
Desafio-te a que o consigas [...]
As marcas das minhas carícias não foram feitas para desaparecer facilmente [...]
Mil outros lábios que se incrustarem na tua boca não arrancarão de lá a lembrança da minha [...]
Mas, se ainda assim, o conseguires, a tua vitória não será duradoura.
Não há vantagem em esquecermos hoje o que temos de lembrar amanhã [...]
Apraz-te que eu guarde os meus beijos [...]
Guarda-los-ei, por enquanto.
Advirto-te, porém, que os beijos são como os vinhos raros, quanto mais velhos, Melhor embriagam [...]
Enganas-te se pensas que entre nós dois tudo está terminado [...]
Se agora é que começou [...]
A nossa história, hoje, está bem mais interessante [...]
E tu fizeste para mim, muito mais desejado [...]
Porque tenho que te arrancar do domínio de outra mulher [...]
No entanto, eu já não te amo [...]
Admiro os homens fortes e tu és um covarde: Tens medo do meu amor. Receias o delírio febril do meu desejo, a exaltação diabólica do meu sensualismo, a impetuosidade selvagem da minha volúpia [...]
Sonhar um afeto simples, monótono, banal [...] Um afeto que toda mulher pode dar [...]
Tu, um artista!
Fazes bem em procurá-lo distante de mim
O meu amor é bem diferente: é impulsivo, torturante, estranho, infernal [...]
Ouve, contudo, o que te digo: hás de experimentá-lo ainda uma vez [...]
Então veremos quem de nós dois chorará [...]Anayde Beiriz - De uma carta que te escrevi e não te enviei

“Muitas atitudes minhas, incompreensíveis aos olhos desses fariseus por aí, vinham do angustioso recalque dos ímpetos de minha alma e da obrigação em que estava de dizer pela metade, aquilo que eu poderia dizer totalmente.”(Lima Barreto, conforme citação de Anayde Beiriz)