terça-feira, 9 de agosto de 2011

A fera está chagada, mas retornou.

Procurei inspiração em outras mil quatrocentas e oitenta e nove coisas, mas não consegui escrever nada que não fosse isso que está dentro de mim.
Fui pega no meio do caminho por uma dor indescritível.
É horrível ter que encarar  tudo sozinha. É triste olhar para tantos planos e vê-los todos quebrados no chão.
Reconheço que fui menina quando eu precisei ser mulher, mas, fazer o que agora? Tenho que seguir tentando lembrar o mínimo possível dos fatos ocorridos nas últimas semanas.
Por um amor deixei de fazer tudo que eu gostava... Parei de escrever, deixei de lado muitos amigos, mudei totalmente quem sou. Renunciei a uma oportunidade que ia me ajudar muito na minha carreira profissional para não ficar longe dele... e agora? Fui abandonada.
Eu não o odeio... me decepcionei mais comigo do que com ele.
Eu não devia ter me adaptado a ele... e acabou quando eu pedi para que ele fosse se familiarizando com coisas minhas.
Sei que coisas assim acontecem com um monte de gente por aí, mas dói mais quando a dor é sua.
É horrível ser ignorada por aqueles que você tinha como irmãos... é difícil ser julgada quando os algozes não sabem metade do enredo do cordel.
É amigos... quero muito voltar a ser quem eu era, a escrever como eu escrevia, mas não sei porque eu sinto que a chaga vai demorar a fechar. Enquanto isso, vou voltar a escrever.

Não Eu não hei de chorar [...]
Tu me conheces bem pouco. Por isto é que me falas em lágrimas.
Só os desesperados é que choram e eu continuo a esperar [...]
Pouco se me dá saber da tua nova paixão [...]
É tão vulgar a existência de outra mulher no destino do homem que a gente deseja [...]
E, bem sabes, no amor, como em tudo, apenas me seduz a originalidade [...]
A razão por que gostei de ti?
Porque pensei que tu eras louco [...]
Tive sempre a extravagância de achar deliciosos os loucos que julgam ter juízo [...]
Desiludiste-me afina!
[...] E é tão desinteressante um homem ajuizado que finge de louco [...]
Dizes que me procurarás esquecer. Ingênuo!
Desafio-te a que o consigas [...]
As marcas das minhas carícias não foram feitas para desaparecer facilmente [...]
Mil outros lábios que se incrustarem na tua boca não arrancarão de lá a lembrança da minha [...]
Mas, se ainda assim, o conseguires, a tua vitória não será duradoura.
Não há vantagem em esquecermos hoje o que temos de lembrar amanhã [...]
Apraz-te que eu guarde os meus beijos [...]
Guarda-los-ei, por enquanto.
Advirto-te, porém, que os beijos são como os vinhos raros, quanto mais velhos, Melhor embriagam [...]
Enganas-te se pensas que entre nós dois tudo está terminado [...]
Se agora é que começou [...]
A nossa história, hoje, está bem mais interessante [...]
E tu fizeste para mim, muito mais desejado [...]
Porque tenho que te arrancar do domínio de outra mulher [...]
No entanto, eu já não te amo [...]
Admiro os homens fortes e tu és um covarde: Tens medo do meu amor. Receias o delírio febril do meu desejo, a exaltação diabólica do meu sensualismo, a impetuosidade selvagem da minha volúpia [...]
Sonhar um afeto simples, monótono, banal [...] Um afeto que toda mulher pode dar [...]
Tu, um artista!
Fazes bem em procurá-lo distante de mim
O meu amor é bem diferente: é impulsivo, torturante, estranho, infernal [...]
Ouve, contudo, o que te digo: hás de experimentá-lo ainda uma vez [...]
Então veremos quem de nós dois chorará [...]Anayde Beiriz - De uma carta que te escrevi e não te enviei

“Muitas atitudes minhas, incompreensíveis aos olhos desses fariseus por aí, vinham do angustioso recalque dos ímpetos de minha alma e da obrigação em que estava de dizer pela metade, aquilo que eu poderia dizer totalmente.”(Lima Barreto, conforme citação de Anayde Beiriz)



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