sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Mais um fim...

Ontem, 16:30 hs. Integração de João Pessoa.
Todas as quintas-feiras sigo a mesma rotina.
Pego sempre a mesma linha de ônibus para a universidade. Sim, são infinitas linhas de ônibus que passam na UFPB mas eu tenho o hábito de sempre pegar a mesma.
303, 2300, 302, 301. Todos parados ao mesmo tempo. Como de costume, pego o 301 (tenho a impressão de que ele chega mais rápido, apesar de fazer o mesmo percurso que as outras linhas Mangabeira / Valentina via Pedro II).
Achei um lugar pra sentar.
Sentei ao lado de um cara aparentemente desconhecido. Aparentemente mesmo. Conheci o maldito perfume. No braço, reconheci a tatuagem. 
Não acreditei no que meus olhos e minhas lentes viram. Quisera eu que aquilo fosse ilusão de ótica.
Thiago.
Dei uma olhada geral na figura. Regata Preta, boné para trás, bermuda e havaianas brancas. Há muito não o tinha visto preencher os furos da orelha.
Não ousei proferir uma palavra. Ele também não. Era como se fossemos completos estranhos. Ele sequer olhou para mim.
Nossa última discussão foi séria. Só não imaginava que daqui para frente seria assim. Como as coisas ainda estão recentes, quero acreditar que essa atitude, de ambas as partes, foi só para não demonstrar fraqueza diante do outro.
Quando me deparei com esse pensamento percebi o quão é infantil nossa relação, que não passa (ou passava) de uma boa amizade. Certo que houveram seus capítulos ímpares, mas, isso faz parte da vida.
Nunca imaginei que seria assim. Ele deveria estar em Brasília e eu não imagino o que ele faz por aqui.
Cheguei na universidade. Subi as escadas para a sala do professor embriagada por minhas suposições. As horas se passaram rápido demais. Veio de Simone de Beauvoir a ideia para por fim a esse turbilhão de coisas. Uma fuga qualquer não resolverá tudo do dia para noite.
Saí do grupo de estudos mais zonza que antes.
Eu e algumas amigas rumamos para um barzinho perto da universidade.
Confesso que se não fosse a alegria bêbada de uma das companheiras eu teria me afogado no primeiro copo de cerveja. 
A decoração, a música de Lenine e o clima da noite me lembravam ele.
Não. Ele não merece que eu mate um de meus dias só por pensar nas coisas que aconteceram até aqui. Não somo mais tão crianças assim.
Não sei a razão pela qual ele estava naquele ônibus. Um cara que tem um carro nada popular na garagem do condomínio não faria isso. 
Não entendi essa conspiração dos deuses. Talvez seja um aviso de que o fim - se ainda não aconteceu - está perto.Resta-me agora abrir meu guarda-chuva carmim e esperar que mais esta tempestade passe.

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