segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Quatro e vinte e seis da manhã.
O cachorro da vizinha late no quintal.
Uma moto passa na rua. Agora passa um ônibus, o primeiro que vai para a capital.
O ventilador gira no quarto da minha mãe, que de porta aberta tenta dormir, mas não esquece de me espionar e de hora em hora me pergunta se eu não vou deitar.Aborrecida, respondo a ela que só poderei dormir depois de concluir minhas atividades acadêmicas.
Estou cansada, os olhos pesam. Os dedos já estão lentos a digitar qualquer coisa sobre o conceito de dialogicidade em Paulo Freire.
Confesso-lhes que odiei o professor por uma hora, mas depois acalmei minha ira. Pensei que não é culpa dele, e sim minha que não sei dividir o meu tempo, principalmente quando me encontro na frente do computador.
Os ombros e as costas doem.
Andei filosofando sobre casamentos e receitas de pastel de forno. Não sei o que tem uma coisa com a outra... Deve ser delírio de quem não dorme faz tempo.
Nesses últimos dias me sinto mais cansada que o normal. Interessante é que não tenho feito nada além dos afazeres domésticos - que tomam grande parte de minhas manhãs - e das minhas rotinas de estudo.
Penso que estou estudando além do que o de costume, mas sinto que isso é necessário. Sou a prova de que o cansaço mental é quatro zilhões de vezes pior que o físico.
O sol vai surgir trazendo uma semana que eu sei que vai ser cheia e exaustiva.
É segunda feira e vou ter que rever caras que eu gostaria de não ter que encarar. Vou ter que ouvir teorias ridículas sobre a vida. Vou ter que conviver com gente que me detesta...
O que sei é que não vou deixar me abalar por nada que venha a querer me desviar da rota.
Recebi um convite para fazer o EJC com uns jovens da Paróquia. Recebi o convite, mas não fiz minha inscrição.
Tenho notado que uma espécie de força vinda d'além do arco iris tem me levado cada vez mais para longe da Igreja. O namoro que, de certa forma me prendia a ela acabou. Quando o namoro acabou deixei de frequentar o grupo de jovens. Não respondi ao convite do EJC e não tenho o mínimo entusiasmo para sentar-me num banco e assistir ao discurso de um padre que inconscientemente (ou não) tenta me fazer perder a identidade de mulher ativa no mundo.
Essas coisas de divindades não me interessam tanto como antes, como no tempo em que estive às vésperas de vestir um hábito e selar um pacto com o Divino. Muito mais me atrai as teorias filosóficas que questionam, que intrigam, que se opõem a ordem.
São quatro e quarenta e seis da manhã.
Tenho que continuar meu trabalho para tentar ter ao menos três horas de sono cronometrado.
A luz do dia já aparece por debaixo da porta, os passarinhos começaram a se comunicar com o mundo.
São quatro e quarenta e oito.
Vou embora.

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