terça-feira, 4 de outubro de 2011

Uma dose de Filosofia I - Deus não existe

De longe Paulo Freire parece ser uma figura fácil de ser estudada; de perto, ele é um pensador complexo em suas raízes epistemológicas¹.
Em um estudo sobre as influencias filosóficas de Paulo Freire, encontram-se três pessoas interessantes: Hegel, Marx e Husserl. Hegel, por si só, já de um pensamento complexo de mais. Karl Marx dispensa apresentações e Husserl com toda a sua fenomenologia confunde cabeças fracas. Um influencia o outro, ou seja, Hegel influenciou Marx, Marx Influenciou Husserl e os três juntos influenciaram Paulo Freire.
O interessante disso tudo é descobrir como é que Paulo Freire une todas essas "filosofias" numa única. Mas o meu objetivo não é este, pois quero falar de uma explanação feita pelo professor que foi intrigante para muitas pessoas da turma.
O professor, falando sobre o livro de Paulo Freire "Professora Sim, Tia Não" entra na questão do Existencialismo² de uma maneira bem leve e rápida, não se aprofundando muito nas afirmações (ou teorias, não sei qual o termo correto) existencialistas.
Nos apresentou uma lógica bem simples, mas para isso usou uma colocação polêmica:
DEUS NÃO EXISTE.
Preciso dizer que muitos acharam isso terrível, e dessa expressão por diante não ouviram mais nada que o professor falou.
Eu, filha da ironia, comecei a rir (e o professor deve ter achado que eu não tenho bom juízo) pois eu já sabia do que se tratava aquela afirmação.
A sala de aula foi de um silêncio perturbador. Aí o professor explicou:
Vou dar um exemplo simples: Esta caneta existe correto? Esta mesa existe, esta sala existe, eu existo. Só que, a existência está vinculada do nascimento à morte, portanto, tudo que existe nasce e morre. A caneta será descartada um dia. A mesa irá quebrar e não passará de madeira velha. A sala de aula um dia desabará ou será reformada. Eu vou morrer.
Se eu digo que Deus existe, eu estou afirmando que um dia Deus acabará. Seu eu digo que Deus existe, eu estou dizendo que vou matá-lo amanhã. Jesus existiu, pois nasceu e morreu; mas Deus não existe.
O amor existe? O calor, o ódio a felicidade exitem? Não! nem amor, nem ódio, nem felicidade nem calor existem. Nenhum deles pode entrar por esta porta e dizer: Oi, eu sou o amor e vou sentar aqui. Nada disso existe. Não existem porque eles SÃO REAIS.
Deus não existe.
DEUS É REAL.
Depois que o professor fez essa colocação, alguém ainda teve a coragem de perguntar se ele era ateu. Daí outra pessoa disse que 99% dos filósofos são ateus ( Alguém comprova isso estatisticamente?)
Não me cabe especular se o professor é ateu ou cristão. Ele não quis nos (re)introduzir na enfadonha discussão sobre a (in)existência de Deus. Ele simplesmente expôs vagamente o que pensa uma corrente filosófica.
Depois da aula sempre surgem os comentários nos bastidores e eu, inocentemente, fui tentar explicar a teoria toda. Preciso dizer que me mandaram ficar calada? Preciso dizer que quase fui espancada por um comentário que fiz em favor desse pensamento? E ainda tive que ouvir: "Não fale mal da Filosofia nem da História que Amanda sempre tem um argumento contrário".
Eu ri com isso tudo. É interessante como as pessoas só ouvem o que querem.
O professor disse que Deus não existe, mas, cinco minutos depois afirmou que Ele é real. Precisa-se de mais alguma explicação? Creio que não, mas, cada um é livre para ter a opinião que quiser.

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¹EpistemologiaA epistemologia estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento, motivo pelo qual também é conhecida como teoria do conhecimento.

² Existencialismo: Existencialismo é um conjunto de doutrinas filosóficas que tiveram como tema central a análise do homem em sua relação com o mundo, em oposição a filosofias tradicionais que idealizaram a condição humana.
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Referências:
UOL Educação:
Wikipédia:
> Aula de Tópicos Específicos em Educação do Campo I - Professor Dr. Deyve Redyson na qual eu estava presente ontem.


6 comentários:

  1. Discutir religião numa aula de filosofia é risco de vida kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  2. kkkk é mesmo... mas eu até que achei legal essa coisa que o professor expôs. Ele não queria discutir religião, mas as pessoas levaram para esse lado. Sabe aquele tipo de gente que tem tão pouca fé que esculhamba qualquer um quando se sente ameaçado por suas crenças? rsrsrs Por isso que eu gosto de filosofia.

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  3. Ah, a ignorância... devemos ter comiseração (pra quem não entendeu vá ao dicionário) dos apaixonados por ela...

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  4. Rondon, conheci a palavra comiseração agora... concordo com a afirmação.Engraçado é que eu nunca tinha tido contato com a filosofia antes da universidade...

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  5. *Nota de esclarecimento

    Aos leitores da Revista Princípios e à comunidade filosófica em geral

    Tomamos ciência de que o artigo Schopenhauer e a metafísica do pessimismo, de Deyve Redyson, publicado no volume 15 número 23 da revista Princípios, reproduz, sem a devida citação, grande número de páginas do artigo A influência de Schopenhauer na filosofia da arte de Nietzsche em O nascimento da tragédia, de Rosa Maria Dias, publicado na revista Cadernos Nietzsche, número 3.

    O conselho editorial da revista Princípios entende que isso representa um caso claro de plágio e pede desculpas aos seus leitores e à comunidade filosófica por não ter identificado esse plágio anteriormente.

    Queremos dizer à comunidade filosófica que repudiamos veementemente tal prática e Informamos também que tomaremos todas as medidas cabíveis no campo administrativo em relação a este fato.

    Conselho editorial

    Natal, 03 de novembro de 2011.

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    1. O citado Deyve Redyson acaba de ser suspenso de suas atividades como professor na UFPB, sob suspeita de falsificar seus diplomas de graduação, mestrado e doutorado.

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