quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Um amigo que não voltará mais...

Como disse a moça da previsão do tempo, hoje o dia amanheceu nublado com ocorrência de pancadas de chuvas isoladas.
Um dia cinza, pelo menos até agora. Apesar das coisas boas que aconteceram ontem, não dá pra esquecer ou anular o dia de hoje. Não dá para esquecer que nesse mesmo dia, no ano passado recebi uma ligação de Recife me informando sobre o suicídio de Daniel.
Uma das maiores tristezas que já senti pela morte de alguém. Apesar de já ter visto muita gente cumprindo o ciclo da vida, desde criança, a começar pelos meus avós maternos, meu tio-avô materno e muitas pessoas que estiveram presentes na minha infância, a morte de Daniel foi inaceitável por muito tempo.
O detestei, quando soube do câncer, pois ele morreu sem me falar. Chorei quando li o e-mail de despedida, dois meses depois da morte dele, quando tive coragem de abrir.
Chorei a morte do meu amigo sozinha, porque parecia que ninguém mais se importava.
Eram tantas cobranças, tantos dilemas familiares que se passavam por aquela cabeça que, junto com o câncer acabou tendo esse trágico fim.
Vi de perto o que a hipocrisia religiosa pode fazer. Vi a tortura insuflada pelo tão religioso pai dele apenas pelo fato de Daniel ser homossexual. Fui acusada de saber da ideia do suicídio enquanto eu me encontrava num estado de surpresa tanto quanto qualquer outra pessoa que o conhecia.
Depois disso tudo, uma revolta contra esse deus que dizem que existe me consumiu. Como é que pode tanta desgraça acontecer assim, de uma só vez, a uma única pessoa, sem dó nem piedade? Como é que esse cara criou uma pessoa tão linda e inteligente, um artista de teria um futuro brilhante, e o crucifica, como dizem que fez com o próprio filho, o tal do Jesus.
Muita gente veio dizer um bocado de abobrinha, desde as coisas sobre inferno, vale dos suicidas, céu, vida eterna, espíritos vampiros, espíritos errantes, almas penadas e por aí vai. Não acredito em nada disso.
Tudo que posso dizer é que Daniel Albuquerque existiu um dia, que foi um grande amigo, que não será esquecido, que tive um grande amor por ele pela pessoa maravilhosa que era. Hoje ele não existe mais. Morreu.
O que ainda me revolta são as circunstâncias, a apatia da mãe, a mediocridade do pai, a insensibilidade da irmã...
Só posso imaginar o que ele seria. Poderia ser um bom policial, um bom professor de Português... Poderia viver de música, como ele desejou. Poderia.
Perdi meu amigo e, se é verdade o que dizem sobre pessoas insubstituíveis, com certeza Daniel é uma delas.
Sinto muita, muita saudade, mas não há o que se fazer a não ser lembrar dos bons momentos que vivemos.


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